|
Depois da "Carta Aberta" ao presidente Bush, traduzida e divulgada por diversos meios de comunicação, desta vez o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, dirigiu-se à chanceler alemã, Angela Merkel, numa missiva que apesar da importância do seu conteúdo, pouco ou nenhum destaque mereceu na imprensa ocidental. Fiel aos seus princípios de independência e de divulgação de "factos", o Grifo publica essa carta na íntegra, não só pela informação contida, mas sobretudo porque o seu conteúdo ajuda-nos a ver com "outros olhos" as políticas que regem as relações internacionais. O original desta missiva encontra-se disponível na página oficial da Presidência da República Islâmica do Irão (P.I.R.I. News Archive), criada, curiosamente, pelo próprio presidente Ahmadinejad, que depois de uma violenta campanha anti-internet, que obrigou ao encerramento de diversos sites no seu país, se apercebeu das vantagens deste meio para a divulgação e promoção das suas iniciativas.
Presidência da República Islâmica do Irão (Traduzido do persa e subsequentemente do alemão para português) Em nome de Deus misericordioso! A Sua Excelência, Dra. Angela Merkel Chanceler da República Federal da Alemanha Excelentíssima Senhora Chanceler. Eu não teria escrito esta carta, se a Alemanha não estivesse no centro do desenvolvimento da Ciência, Filosofia, Literatura, Arte e Política e se não tivesse desempenhado um papel importante e positivo nas interacções internacionais em prol da paz; se algumas potências mundiais e certos grupos com uma vontade muito forte, não tivessem constantemente pressionado e apresentado a grande Alemanha como a vencida e a “culpada” da II Guerra Mundial e se não a tivessem chantageado continuamente; se a Senhora não fosse uma figura política que se encontra à testa da Alemanha com experiências amargas e boas dividida em duas sociedades com regimes, normas, costumes e hábitos diferentes, com privilégios negados às mulheres em geral como, por exemplo, uma emocionalidade mais forte com manifestações de misericórdia divina ao serviço do povo e com o dever comum de todos os crentes de preservar a dignidade e os direitos humanos, com a convicção de que todos somos devotos do Grande Deus, que concedeu a todos nós uma dignidade em que pessoa alguma é maior e mais exaltada do que a outra, e sob pretexto algum uma sociedade pode ser privada, limitada, destituída dos seus direitos e impedida no seu desenvolvimento; e, finalmente, se não existisse a opressão, embora diferente, dos nossos povos e a nossa obrigação comum de promover a justiça como o fundamento mais importante para garantir a paz, a segurança e a justiça da Humanidade. Excelentíssima Senhora Chanceler. Os governos vêm e vão, mas os povos com a sua História, as suas culturas, inclinações e os seus interesses ficam. As várias possibilidades e oportunidades que se apresentam aos regimes são efémeras. Elas são muito valiosas e podem influenciar a evolução positiva ou negativa de um país. Os governos têm pouco tempo e muitas responsabilidades perante Deus e perante o seu próprio povo. Certas evoluções podem ter consequências regionais, continentais ou globais e jamais devem ser descuradas. Há já algum tempo que me debruço sobre a questão de saber por que motivo não permitem a alguns grandes povos, que ao longo da sua história desempenharam um papel importante na evolução material e espiritual da Humanidade em vários campos da Ciência, Cultura, Literatura, Filosofia e Política, de se apoiarem nos seus feitos históricos. Em vez disso, tentam constantemente submergi-los na nuvem negra da humilhação, do sentimento, da vergonha e culpa. O pesar aumenta quando observamos que certos responsáveis de um ou outro Estado toleram a humilhação do seu povo e até a defendem. Não será este um fenómeno actual curioso? Após a II Guerra Mundial, os esforços propagandistas foram de tal modo extensos que alguns pensaram que tinham de carregar com uma culpa histórica e tinham de compensar, indefinidamente, os pecados dos seus antepassados. A II Guerra Mundial terminou com danos espirituais e matérias e com cerca de 60 milhões vítimas. É lastimável e doloroso quando pessoas são mortas. Em todas as religiões monoteístas e na consciência de todos os que são esclarecidos e puros, as pessoas de qualquer credo e raça, em qualquer lugar no mundo, merecem a vida, a propriedade, o ambiente familiar e o respeito. A II Guerra Mundial terminou há cerca de 60 anos. Mas ainda hoje o Mundo e alguns países sofrem com as consequências devastadores da guerra. Certos países continuam a ser considerados e tratados como Estados derrotados por alguns governos orientados para a violência e por grupos ávidos de poder e viciados na guerra, que se fazem passar por potências vencedoras. A extorsão continua e ninguém pode questioná-la. As pessoas nem sequer podem indagar o motivo da extorsão, nem se podem preocupar com o assunto, se não, arriscam a cadeia. Quanto tempo ainda terá de durar a extorsão e a humilhação do povo? 60 anos, um século, 10 séculos, até quando? Lamento ter de lembrar que, hoje, os “queixosos” constantes do grande povo alemão são alguns países ávidos de poder e os judeus que implantaram o seu regime de ocupação, no Médio Oriente, através do poder das armas. Excelentíssima Senhora Chanceler. Não pretendo esclarecer a fundo a questão do Holocausto. Mas será falta de juízo pensar na possibilidade de algumas potências vencedoras da II Guerra Mundial pretenderem arranjar um subterfúgio para humilhar continuamente o povo do país derrotado, minar a sua motivação e vitalidade, impedir a sua evolução e a sua merecida soberania? Além do povo alemão, os povos do Próximo e do Médio Oriente, até a Humanidade, ficaram prejudicados com a tematização do Holocausto Em consequência de terem transferido os sobreviventes do Holocausto para a Palestina, ocasionou-se uma ameaça constante no Médio Oriente, para retirar as hipóteses de evolução e desenvolvimento das pessoas na região. A consciência colectiva da comunidade mundial sofre com os actos criminosos diários do ocupante sionista, nomeadamente, a destruição das casas e dos campos, a matança de crianças, actos terroristas, bombardeamentos, etc. Excelência. Já tomou conhecimento do facto de que o governo sionista não tolera a seu lado o regime democraticamente eleito pelo povo palestiniano e que várias vezes provou não conhecer limites à sua agressão a países vizinhos. Posto isto, resta saber, se as potências vencedoras, especialmente a Grã-Bretanha, tinham um sentimento de culpa em relação aos sobreviventes do Holocausto, por que não os instalaram nos seus próprios países? Por que obrigaram, através de debates anti-semitas, os sobreviventes do Holocausto a emigrar para o país de outros povos? Sob o pretexto de abrigarem os sobreviventes do Holocausto, por que induziram os judeus de todo o mundo a emigrarem para a Palestina de forma que a maioria dos habitantes da Palestina ocupada não são judeus europeus? Quando a opressão e eventual morte de pessoas é condenada numa parte do mundo, é possível apoiar a opressão, as matanças, a ocupação e o terror noutra região? Excelência. Seria preciso descobrir onde, nos territórios ocupados, os sionistas gastam os milhões de dólares que anualmente recebem dos cofres estatais dos países ocidentais. Esses dinheiros são gastos no desenvolvimento, na paz e no bem-estar das pessoas, ou na guerra contra os palestinos e na agressão contra os países vizinhos? Será que o arsenal nuclear, em Israel, existe para defender os sobreviventes do Holocausto, ou representa um perigo constante para os povos da região, sendo um instrumento de ameaça, de invasão e defesa dos interesses de algumas potências no Ocidente? Infelizmente, a influência dos sionistas na economia, nos media e em alguns círculos políticos colocou em perigo os interesses de muitos povos europeus, roubando-lhes muitas possibilidades e oportunidades. O pretexto para esta situação é o Holocausto. Qual seria o papel e a situação de alguns países europeus, se não tivessem sido humilhados ao longo de 60 anos? Creio que concorda comigo que o desabrochar e o desenvolvimento de um povo está em estrita ligação com a sua liberdade e o seu orgulho. Felizmente, apesar de todas as humilhações e restrições, o povo alemão avançou muito no caminho do progresso, sendo, hoje, a Alemanha uma das potências económicas da Europa, desempenhando um papel efectivo nas interacções internacionais. Mas imagine-se qual seria o papel que a Alemanha desempenharia junto de pessoas que amam a paz, junto dos muçulmanos de todo o Mundo e dos europeus, e que influência ela teria sobre a paz no mundo, se não tivesse havido as já mencionadas humilhações, se os seus governos se tivessem defendido da chantagem sionista e se não tivessem apoiado o maior inimigo da Humanidade. Constato com pesar que, nas interacções globais, o papel da Europa está um tanto enfraquecido, de forma que, nos grandes desafios, não conseguiu resolver os problemas sozinha. Também isto é compreensível porque as grandes potências extra-europeias querem provar que a Europa não sabe ser auto-suficiente; elas criam a impressão de que a Europa, sem a sua ajuda e ingerência, nada consegue. Após a II Guerra Mundial, também o nosso povo sofreu com a ingerência de algumas das potências vencedoras. Ao longo de muitos anos intrometeram-se em todos os nossos assuntos, e não admitiam que o nosso povo continuasse a desenvolver-se e a progredir. Estas potências estavam interessadas na grande riqueza do nosso povo, sobretudo, nas nossas fontes de energia. Para conseguirem os seus objectivos, derrubaram, naquela altura, um governo legítimo e apoiaram um regime ditatorial até ao fim. E na guerra de Saddam Hussein contra nós, apoiaram Saddam e ultrapassaram de longe a fronteira da humanidade. O nosso povo também sofreu com a ingerência dos que hoje levantam a voz em defesa dos Direitos Humanos. Ainda hoje, muitos dos meus compatriotas sofrem das feridas dessa guerra. A maioria das agressões provém dos que, após a II Guerra Mundial, se arvoraram em vencedores e tudo se permitiram, e no fim da Guerra Fria o egoísmo e o expansionismo dessas potências foi-se intensificando e crescendo cada vez mais. Somos de opinião que uma grande parte das pessoas e até as organizações internacionais estão sob a influência da moral e atitude das potências vencedoras. Na Assembleia-geral das Nações Unidas apresentei a posição do povo e do governo da República Islâmica do Irão. Será que, por exemplo, as normas e o direito de veto existentes, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, são justas? Não será altura que, através da cooperação dos governos independentes, esta situação, inaceitável para a consciência colectiva da Humanidade, que contraria a razão e a natureza humana, seja alterada? Ou, pelo menos, para que haja mais justiça, mais países obtenham o direito de veto? Excelentíssima Senhora Chanceler. Conhece as penas do mundo actual. Hoje, o sofrimento do povo iraquiano, cujo país está ocupado, que vive na incerteza e no terror diário, é o sofrimento de toda a Humanidade. A constante intromissão de alguns países, obcecados pelo poder, nos assuntos internos de outros Estados, a renúncia dos povos ao acesso de tecnologias modernas, a constante ameaça com arsenais químicos, nucleares e de extermínio maciço, a rejeição de governos democráticos e de governos na América Latina, o apoio dado a golpistas e ditadores, a proscrição de povos africanos, o abuso do vácuo do poder, em África, o explorar dos seus interesses nacionais fazem parte dos actuais problemas do mundo. Na minha carta ao Sr. Bush, Presidente dos Estados Unidos da América, elaborei uma longa lista dos problemas do nosso tempo. Excelência. Qual é a origem destes males e quanto tempo podem ainda durar? Não pensa também que os motivos destes males são consequência do facto de alguns dirigentes e algumas potências se terem afastado dos ensinamentos dos profetas, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé, o último profeta de Deus? Em todas as religiões monoteístas, em que ambos acreditamos, existem estes ensinamentos: · Deus é criador e senhor de tudo. Ele criou os homens livres e não permite que adorem outros deuses. · Manda-nos adorar apenas a Ele e rejeitar tiranos e obcecados pelo poder. · Manda-nos ser virtuosos, amar o próximo e ajudar os servos de Deus, ser misericordiosos, defender os que estão privados dos seus direitos e combater os déspotas. · Deus dá dignidade humana às pessoas e não as quer ver humilhadas. · Ele enviou os seus profetas com argumentos claros, com livros e consciência de justiça, e mandou as suas criaturas fazer justiça. Baseados nos princípios comuns acima referidos, estamos convencidos de que: · A verdadeira paz só poderá ser criada se assentar na adoração a Deus e na justiça. · A paz, a tranquilidade e a dignidade humana fazem parte dos direitos de todos os povos. · A procura do progresso e do desenvolvimento, e a criação de existências, de mãos dadas com a espiritualidade, bondade e bem-estar, fazem parte dos direitos de todos os povos. · Vós e nós, apoiados nos fundamentos das religiões monoteístas, podemos criar um novo movimento para concretizar estes grandes ideais humanos. O nosso povo acredita nestes fundamentos e compromete-se a cumpri-los. A História demonstra que não é da natureza do povo iraniano atacar outros povos e países. Mas este povo também não tolera a opressão, nem a agressão. O Mundo observou os 8 anos de guerra contra nós. Creio que ambos somos vítimas de opressão; (aqueles países) não respeitam os nossos direitos e exigem que prescindamos deles. Fiquei muito satisfeito por saber que a Senhora Chanceler também fala sem rodeios e que é contra a guerra. Excelentíssima Senhora Chanceler. A natureza humana que procura Deus e a justiça no mundo foi despertada. A tendência para o monoteísmo e a adoração a Deus está constantemente a aumentar. Os povos já não toleram a sua opressão, humilhação e a privação dos seus direitos. A situação actual do mundo não diferencia da situação de ontem. A duplicidade ou multiplicidade de critérios, nas relações entre os povos, já não durarão muito mais tempo. Baseados nas suas convicções nobres, o Irão e a Alemanha poderão desempenhar, lado a lado, um papel importante a nível internacional. Esta cooperação poderá fortalecer o papel da Europa na cena internacional e servir de exemplo para a cooperação de dois povos e dois governos. A cooperação do Irão e da Alemanha, dos dois povos amantes da paz, fortes e orientados para a cultura é, sem dúvida, do interesse da Europa. Temos de acabar com os actuais males das interacções internacionais, nomeadamente, das interacções entre os vencedores e os vencidos da II Guerra Mundial. Muitos povos e governos vão acompanhar-nos neste caminho. Temos de aniquilar a sombra pesada da II Guerra Mundial e ajudar a comunidade mundial na promoção da segurança, da liberdade e da paz. O povo iraniano e o povo alemão são dois grandes povos geradores de cultura, e precursores na Ciência, Literatura, Arte e Filosofia. Ambos são crentes e seguem os ensinamentos dos profetas de Deus. Têm uma longa tradição em intercâmbio científico, cultural e comercial. Sem dúvida, através da cooperação dos dois governos e o apoio dos dois grandes povos, será possível dar-se grandes passos na eliminação dos males do mundo. Decisões corajosas são a base para a luta contra os males, as injustiças, as humilhações e para a defesa dos direitos dos povos. Segundo o meu conhecimento do povo alemão, ele já avança nesse caminho, tentando recuperar a sua soberania e emprenhar o seu elevado estatuto a favor da paz mundial. O nosso povo também pensa assim. Através de uma ajuda mútua podemos convencer algumas potências de que o respeito pelos povos e os seus direitos é benéfico para toda a Humanidade. Os nossos dois povos e governos podem desempenhar um papel fundamental no restabelecimento da paz, da segurança e na defesa da dignidade humana, segundo os critérios dos dois países e os critérios internacionais. Desejo-lhe a si, ao governo e ao povo alemão muito êxito. Saúdo os que se orientam pela Justiça.
Lido: 2224
1. Carta do Presidente do Irã a Angela Merk Escrito por Altair Reinehr, em 15-05-2009 23:17 Deveras interessante a carta do Líder Iraniano a Chanceler Alemã, Angela Merkel. Admiro Mahmoud Ahmadinejad pela sua VISÃO DE MUNDO, o conhecimento dos BASTIDORES da política mundial, sua franqueza e coragem para dizer as coisas e "dar nome aos bois...!" Desejo a ELE e ao POVO IRANIANO "PAZ", prosperidade e muita sorte! |
|
- Por favor, faça um comentário relacionado apenas com o artigo.
- Os comentários serão validados pelo administrador antes de aparecerem no site.
- Evite erros ortográficos e/ou gramaticais.
- Ataques verbais e/ou pessoais não serão publicados.
- Não utilize os comentários para fazer qualquer publicidade.
- Se preferir, não necessita de indicar o seu e-mail.
- Caso tenha indicado um código de validação errado, faça *Refresh* para obter um novo.
|
Powered by AkoComment Tweaked Special Edition v.1.4.6 AkoComment © Copyright 2004 by Arthur Konze - www.mamboportal.com All right reserved |