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Por João J. Brandão Ferreira “Na maioria das sociedades actuais falta geralmente aos homens públicos o valor não só para ousar o bem, mas até, para praticar fracamente o mal”. Alexandre Herculano Finalmente, após várias tentativas frustradas – eles sabem que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura” e que “uma mentira, mil vezes propalada, torna-se uma verdade” -, as forças “fracturantes da sociedade” lá conseguiram que um governo aprovasse a existência de salas de chuto. O governo andou mal e a medida é errada. A primeira observação a fazer é que os governantes não acolheram opiniões de forças fracturantes da sociedade: acomodaram-se a franjas subversivas da mesma. A decisão é errada. Repete-se.
Tecnicamente errada, porque perpetua o vício em vez de o curar e nada garante que a higiene passageira não seja maculada por uma acção (fácil) fora do contexto; é errada em termos de estratégia pois quebra a dissuasão a futuros viciados e estimula o tráfico; é socialmente errada pois põe o ónus nos cidadãos cumpridores, aptos, saudáveis, integrados, trabalhadores, etc., que têm que suportar os custos de quem prevarica; e ainda errada porque desresponsabiliza os autores dos erros; ainda porque é hipócrita: afinal os responsáveis não estão preocupados se as pessoas se drogam, não querem é ser confrontados com o espectáculo quando passeiam na rua …; é civicamente errada pois se está a passar referências lamentáveis para a sociedade; finalmente é moralmente errada, pois não se deve abençoar ou legalizar práticas prejudiciais e reprováveis. O drogado deve sentir da sociedade censura pelo estado deplorável a que se deixou chegar. Senão poderá sentir ufania. Isto não quer dizer que se trate mal os drogados, que estes tenham perdido os direitos humanos, etc. Quer apenas dizer que se tem que chamar os nomes às coisas e porem-se estas nos devidos lugares. É preciso, isso sim, fazê-los ganhar o respeito por eles próprios e pelos outros. Não achar “normal” que eles se droguem, que a culpa é da “sociedade” e outros disparates do género; não permitir que as situações sejam divulgadas nos “media”, sem uma palavra de censura social, alguma pedagogia, ou em termos que se prestem a “propaganda” do vício; fechar os olhos a que se trafique droga nas prisões como mal menor (a quê?); permitir a desbunda militante em discotecas e casas do género, verdadeiros antros de vício, de doenças e coios de malandragem, corruptoras da juventude; não se achar “muito in” a prática de snifadelas e quejandos em festas do”jet set”, etc. E mão dura nos traficantes. Esta é a melhor pedagogia. As pessoas têm que saber o que está certo e o que está errado. Aqui, como em muitas outras coisas, o relativismo moral que muitos tentam instalar na sociedade é a causa primeira dos males. Se verdadeiramente querem ajudar os drogados a “curarem-se”, deixem-se de ideias tolas desajustadas à natureza humana e pseudo psicologia prá frentex. Ponham-nos a trabalhar e a ganhar o pão que comem. Obriguem-nos a praticar desporto, a fazer a cama, a tomar banho e a lavar os dentes. Deixem de os considerar como vítimas, de acharem que têm o direito de se auto-destruir (e a tudo à sua volta!) e de os tratar como coitadinhos. Já chega de aturar (e pagar), tanta parvoíce. Lido: 1940
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