Nuclear/Coreia do Norte: Um jogo de cartas político?
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Por Rainer Daehnhardt
 
ImageA recente explosão nuclear norte-coreana dá que pensar. Será um mero acaso que tenha acontecido no mesmo dia em que é apresentado ao mundo o novo secretário-geral das Nações Unidas, um (sul)-Coreano? Certamente que não! Na política asiática não há coincidências. Tudo é planeado desde longa data e tudo faz parte de estratégias, que por vezes, ultrapassam diversas gerações. Não foi a República Popular da China quem primeiro noticiou (há mais de três anos), que veria com bons olhos a nomeação de um asiático como secretário-geral da ONU? Agora todas as outras candidaturas foram retiradas, ficando apenas o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia (do Sul).

Aos observadores atentos não passou despercebida a ausência das duas Coreias e do Japão na Shanghai Cooperation Organization (SCO). O Japão (como a RFA), não possui Tratado de Paz da Segunda Guerra Mundial, encontrando-se sujeito aos Aliados. A Coreia do Sul continua ocupada por forças americanas desde a Guerra da Coreia, nos anos cinquenta. Assim, a não inclusão destes dois estados não é para admirar. A Coreia do Norte, porém, já podia ter aderido àquela organização, mas essa questão nunca se colocou.
Para se perceber um pouco melhor o que se passa na Ásia, torna-se necessário saber que a Coreia do Norte desde os tempos de Mao Tse Tung é um fidelíssimo aliado de Pequim. Nada acontece na Coreia do Norte que não esteja previamente de acordo com seu grande vizinho chinês. Devemos pois considerar a não adesão da Coreia do Norte na SCO, como fazendo parte da grande política chinesa. Os observadores militares internacionais sabem há anos que a Coreia do Norte possui tecnologia nuclear e já poderia ter feito este teste há tempos. Porquê agora ?
Porque a China assim o quis!
O facto de Pequim se ter pronunciado agora contra o teste norte-coreano é apenas neblina política, sem peso algum. Pyongyang fez um alerta geral e comunicou que estaria na disposição de deflagrar a sua primeira ogiva nuclear e o mundo só "falou". Agora explodiu a bomba de forma subterrânea, ou seja, sem envio de material radioactivo para a atmosfera e por isso pouco atacável e com uma potência parecida com a que foi lançada pelos norte-americanos em 1945 sobre Hiroshima. Dizem os notíciários que apenas Pequim e Moscovo foram avisados, duas horas antes. Isto deu-lhes a possibilidade de terem a  amabilidade política de colocar as suas vozes a avisarem, respectivamente, Tóquio e Washington.
Ainda há poucos meses, políticos americanos declararam que, de modo nenhum, permitiriam a entrada da Coreia do Norte no grupo das nações com armamento nuclear, chegando mesmo ao ponto de não excluir uma intervenção militar para impedir que isso acontecesse.
Agora aconteceu e o mundo vai ver o que sucede: NADA! As sanções propostas são ridículas e uma guerra americana contra a Coreia do Norte seria o fim da era Bush.
Pode-se então concluir que no tabuleiro da política internacional a China está a exigir aos Estados Unidos da América que estes mostrem as suas cartas.
Este rebentamento nuclear é a forma asiática de mostrar ao mundo que o " Grande Cowboy " não passa de um "bluff"!

Lido: 2103

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