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Por Erika Vögeli e Karl Müller Com isto, passa despercebido o facto do governo dos EUA e, sobretudo, os estrategas do poder, que trabalham na sombra, estarem constantemente a adaptar as sua tácticas e estratégias às mudanças da situação mundial e da opinião pública, mas sem perderem de vista o domínio imperial como meta. É certo que o actual governo americano está sob uma pressão enorme. Ele está desacreditado tanto no país como no estrangeiro. Acresce uma fraqueza financeira que se perpetua, que nem as artificialmente empoladas cotações da Bolsa e os alindados números oficiais podem disfarçar. O castelo de cartas americano só existe, presentemente, à custa de outros Estados e, logo que estes tenham encontrado um outro caminho, pode desmoronar-se radicalmente. “Military Commissions Act” – O Governo dos EUA passa para uma ditadura militar manifesta O actual governo americano está entre a espada e a parede e avança para uma ditadura militar. Não é possível explicar de outra forma por que motivo o Congresso americano votou uma lei que suprime radicalmente, nos EUA, tudo o que a América afirma defender. Com o “Military Commissions Act of 2006” os princípios das liberdades civis e a defesa contra a arbitrariedade do Estado são suprimidos. Se alguém for declarado “enemy combattant” (combatente inimigo) pode ser detido e encarcerado sem culpa formada, sem que isso possa ser impugnado juridicamente. Os tribunais normais serão substituídos por “comissões militares” designadas pelo Presidente, e a proibição de aplicar castigos “cruéis ou desumanos” será revogada, – com efeito retroactivo. Por outras palavras, a arbitrariedade e a tortura estatal voltam a instalar-se e os crimes cometidos serão encobertos. Perante a decrescente popularidade, perante o facto de cada vez mais diplomatas, militares agentes dos serviços secretos, antigos funcionários de Estado, etc., porem em causa o 11 de Setembro – até agora o motivo de todas as guerras da Administração Bush – como demais argumentos bélicos, mediante as cada vez mais evidentes violações dos Direitos Humanos, os escândalos de torturas, etc. será preciso resolver, antes de uma possível mudança de governo, que todos os “colaboradores dos EUA”, (entre eles o Presidente em funções e o seu governo), obtenham uma amnistia geral para os crimes de guerra cometidos, crimes contra a humanidade e violações dos Direitos Humanos. Do ponto de vista do Direito Internacional, uma guerra de ataque preenche estes critérios. O papel do Governo Alemão e de Angela Merkel: Impor o que está a ser planeado nos EUA Neste trabalho, um papel importante está destinado à Alemanha, sob o governo da actual Chanceler Angela Merkel. Alguns anos antes das últimas eleições legislativas e, sobretudo, depois da sua tomada de posse, Merkel foi e é cortejada pelos meios do poder e financeiros americanos. Por seu lado, Merkel estava e está disposta a seguir esses tons sedutores. Ela deu um novo rumo à política externa alemã e pôs de parte as tentativas hesitantes dos seus antecessores de estabelecerem um contra-peso ao unilateralismo americano. Isso já ficou claro no acordo de coligação, que salienta muito mais o significado da ligação transatlântica do que o governo anterior, e retrata-se na política concreta do governo, que faz periodicamente algumas observações críticas, mas que, nos pontos essenciais, segue totalmente a linha da actual política os EUA. Porém, Angela Merkel não é apenas uma marioneta do actual Presidente americano. Há indícios de que Merkel será transformada numa “Bush” alemã, europeia, que vai impor para a Alemanha e para a Europa o que está a ser planeado nos EUA. Isto está relacionado com o feitio da Chanceler, a sua biografia política e os pareceres estratégicos quanto ao papel da Alemanha na Europa, segundo os filósofos estratégicos, como o antigo conselheiro de defesa do governo americano Zbigniew Brzezinski, formularam. Brzezinski: A Alemanha e a testa-de-ferro europeia dos EUA No seu livro “A única potência mundial”, editado em inglês, em 1997, e em alemão, em 1999, Brzezinski esboçou o plano para uma potência mundial americana no qual o domínio sobre o continente eurasiático, ou seja a Europa e a Ásia, desempenha um papel central. Segundo Brzezinsk, a Europa é a testa-de-ferro geopolítica indispensável da América, no continente eurasiático. “Para os EUA, o Mundo Velho é de grande interesse geo-estratégico,” onde “a Europa Ocidental e, cada vez mais, a Europa Central seriam um protectorado americano, cujos aliados lembram os vassalos e tributários de outrora”. No seu livro, Brzezinsk debruçou-se extensivamente sobre o papel destinado à Alemanha. Algo diferente do que após a II Guerra Mundial quando a política americana destinava um papel de chefia à França para moldar a Europa segundo a política dos EUA. Agora precisavam que a Alemanha desempenhasse um papel central para contrariar a ambição da França de ser uma potência independente dos EUA, na Europa. Sem dúvida, também um eixo franco-alemão, dado que uma Alemanha em progresso provocaria a desconfiança dos demais países da Europa. Portanto, nenhum eixo franco-alemão no sentido francês, mas um garante para a propagação americana no continente eurasiático. Era preciso aumentar o poder da Alemanha, na Europa, para ela poder impor-se. Foi por isso que o governo dos EUA apoiou, (aliás, com a participação significativa da actual responsável pela diplomacia americana, Condolezza Rice, o Processo de Reunificação, contra as apreensões do governo francês da altura, – que hoje já vimos que eram justificados – por este recear uma hegemonia alemã, na Europa. Merkel tem uma agenda ateísta A actual Chanceler da Alemanha não cresceu no meio político da Alemanha do pós-guerra e das suas premissas. Estas eram: não se praticar uma política de poder, realizar-se uma política baseada nos valores cristãos, humanos e sociais, criar um clima de liberdade e de justiça social e, sobretudo, evitar conflitos bélicos. Merkel criou-se na RDA num ambiente extensamente ateu. Segundo hoje sabemos, nada tinha contra o sistema e no que diz respeito à sua carreira, estava disposta a aceitar a desempenhar funções sob a Ditadura. Parece que há uns anos para cá, e apesar de ser a presidente de um partido denominado cristão, ela segue, muito abertamente, uma agenda ateísta. Surpreendeu imenso quando, em 2004, por ocasião da festa dos seus 50 anos, por ela organizada, o orador falou sobre o tema: “O cérebro: Um exemplo para a auto-organização de sistemas complexos”.O “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, muito próximo do CDU, fez na altura o seguinte comentário: “Um orador do CDU declarar a Cristandade uma maneira de pensar ultrapassada, é um marco histórico”. Merkel fez por estar nas boas graças dos círculos financeiros internacionais Já nos últimos anos, Merkel fez grandes concessões aos círculos financeiros internacionais, que a colocaram no centro da sua planificação pessoal. Com o seu discurso “Quo Vadis Alemanha” no Dia da Reunificação, em 2003, divulgou um programa neoliberal para o CDU e afastou as ideias da doutrina social católica do programa do CDU – também será um marco da história! Desde que subiu ao poder, não existe uma política económica e financeira orientada pelo Estado para o bem comum. A subida dos impostos para o consumidor e os cortes na assistência social vão libertar mais dinheiro para uma agenda neoliberal e para uma crescente despesa militar. Também a Alemanha está a caminho da ditadura militar Fonte: Zeit-Fragen 03.12.2006 Lido: 4254
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