Letónia: uma chance de entrar num “paraíso de tolos”
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Por Rainer Daehnhardt

ImageTal como a actual entrada da Roménia e Bulgária também se festejou, ainda há bem pouco tempo, a entrada dos Estados Bálticos na União Europeia. Depois das garrafas de champanhe e da ressaca mais nada se ouve acerca da junção destes estados no grande caldeirão destruidor de nações, religiões e etnias. Só quem tiver contacto directo com estes povos e ouve os seus gritos de desespero é que pode fazer uma ideia do que ali se está agora a passar.

Para isso devemos primeiro saber como os Estados Bálticos surgiram. O cérebro brilhante, criador de uma Europa Cristã, foi o monge cisterciense São Bernardo de Claraval. No Ocidente deu mais do que uma mãozinha de ajuda para a criação da Ordem Templária, que, por sua vez, foi força decisiva na construção de Portugal. No Oriente criou a Ordem Teutónica que expandiu a Europa Cristã até onde os seus cavaleiros se atreveram. Criaram uma linha de defesa desde o Báltico até ao Mar Negro para impedir a entrada de povos hostis vindos do espaço asiático. Todos os Estados Bálticos foram criação desta ordem religiosa militar, em muito semelhante à nossa Ordem de Cristo. Riga, a capital da Letónia, ainda hoje usa no seu brasão um castelo coroado com a Cruz Teutónica igual à nossa Templária. Riga e Lisboa foram ambas cidades hanseáticas e bastante interligadas visto Portugal não possuir madeiras boas para a construção de mastros. A grande maioria das caravelas e naus lusas construídas em Portugal estiveram equipadas com mastros do Báltico embarcados em Riga.
    Tanto a Ordem Teutónica como a Templária e depois a filha desta, a Ordem de Cristo, levaram os ensinamentos cristãos de tal forma a sério que chegaram a afastar-se da Igreja de Roma, quando a conduta ética e moral dos  seus principais representantes deixou de ser comportável aos olhos de quem colocava a pureza cristã acima da obediência à hierarquia estabelecida. As guerras  daí resultantes deixaram feridas ainda hoje não curadas. Todos os países do Báltico abraçaram o luteranismo, ao ponto de esta zona ser conhecida por Mar Luterano, mas a Ordem Teutónica, militarmente derrotada pelos povos eslavos, oficialmente desapareceu no início do século XVI, mantendo-se apenas no espírito germânico e em algumas organizações filosóficas secretas. Na mesma altura também desapareceu o cariz militar, educacional, científico e comercial da Ordem de Cristo que passou a ser vista apenas como Ordem Monástica e, mais tarde, como Ordem Honorífica (tal como a Teutónica).
    A Letónia, como um dos mais pequenos estados costeiros do Mar Báltico, viu-se inúmeras vezes invadida, conseguindo porém manter-se fiel à sua religião e família étnica. Tanto a Suécia, como a Rússia e a Lituânia já tinham tornado a Letónia  numa província sua, sem no entanto a destruir. A sistemática destruição dos Estados Bálticos começou pela invasão do Exército Vermelho Soviético em 1939, que o Mundo Livre lamentou mas consentiu. Parte da população báltica foi exilada para a Sibéria e substituída por colonos russos. Quem se opôs foi sumariamente executado por forças khasares bálticas que então representavam a 5ª coluna bolchevista preparadora para a tomada de posse estalinista.
    Ainda hoje os Três Estados Bálticos se consideram libertados pelas forças alemãs de 1941, tendo então formado exércitos auxiliares que lutaram ao lado alemão contra os comunistas. Um destes exércitos manteve-se a combater até 1947 ( sem a mínima ajuda ou compreensão sequer do Ocidente ).
    Visto a União Soviética ter reintegrado a Letónia no seu avanço militar em 1944 e só ter consentido a sua separação em 1991, subiu a percentagem da população russa nas cidades de 10% em 1939 para 50% em 1991. A principal língua a ser falada em Riga e Libau ( os grandes centros populacionais da Letónia ) passou a ser o russo.
    Durante muitos séculos vivia-se em plena liberdade religiosa nos estados Bálticos. Todas as grandes cidades tinham suas igrejas luteranas, católicas, greco-ortodoxas e sinagogas. Agora com a enchente russa veio o ateísmo acompanhado pelo materialismo.
    Enquanto grande parte das populações bálticas viram na hipótese da sua aceitação na Comunidade Económica Europeia uma espécie de reaceitação pela liga Hanseática, viram os recém-chegados uma chance de entrar num "paraíso de tolos" onde pudessem enriquecer depressa.
    Os números oficiais fornecidos são verdadeiramente assustadores. Desde 2004 emigraram cerca de 100.000 jovens da Letónia para a Irlanda onde o ordenado mínimo é cerca de 1.900 euros enquanto é de 180 euros na Letónia. A falta de jovens nos locais de trabalho deste país obrigou o Governo a legalmente admitir a entrada clandestina de centenas de milhares de russos que se juntam aos 800.000 ainda aí residentes da invasão soviética. A totalidade da população da Letónia é de 2,3 miliões de habitantes o que demonstra um crescente desequilíbrio.
    Em relação aos perigos da importação de mais russos para a Letónia declarou o Ministro de Assuntos Regionais Aigars Stokenbergs : " Custou-nos dez anos para ensinar os nossos russos a falar lituano, não conseguimos assimilar mais as centenas de milhares ". Um guia do Museu da Ocupação da Letónia, Liene Strike, de 21 anos, que nos mostra reconstruções museológicas das miseráveis condições em que os bálticos viveram e morreram nos Campos de Concentração Comunistas, diz que:" Já sofremos 50 anos de invasões russas,--- não precisamos de novas--- é penoso demais".
    E Bruxelas, que abriu esta porta à desintegração das identidades étnicas e religiosas ancestrais europeias?
    Ou não quer saber ( por excesssiva mediocridade dos respectivos funcionários ) ou até esfrega as mãos.   

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