A perseguição pós-Teerão
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Por Flávio Gonçalves 

Serve este curto texto para tornar pública a perseguição a que têm sido sujeitos alguns dos participantes da polémica conferência, Revisão do Holocausto: Visão Global, decorrida na cidade de Teerão, capital da República Islâmica do Irão, nos passados dias 11 e 12 de Dezembro, 2006.

O mais curioso é verificar que a perseguição levada a cabo nos regimes ditos democratas tem tido como vítimas tanto os conferencistas que foram defender a tese oficial do Holocausto, aquela que nos é ensinada nas escolas, como aos “revisionistas” propriamente ditos, algo a que o Dr. Shaller se referiu como “culpa por associação”, podem não apoiar as teses “negacionistas” mas o simples facto de terem ousado debater e refutar, cara a cara, os vários aspectos do Holocausto com pessoas que manifestam dúvidas acerca do mesmo foi suficiente para atraírem a ira dos seus pares.

O caso mais flagrante, e esperado, foi o de Robert Faurisson uma vez que foi o próprio presidente francês, Jaques Chirac, a pedir que fossem averiguadas as afirmações de Faurisson na dita conferência [1], a recordar que Faurisson foi levado a tribunal o ano passado por ter ousado dar uma entrevista a uma estação de tv iraniana, via telefone. Um belo exemplo vindo da terra da igualdade e da fraternidade…

Outro caso foi a imediata suspensão [2], logo no dia após ter efectuado uma pequena intervenção em Teerão, de Jan Bernhoff – professor de informática, sueco – e posteriormente o seu despedimento, por sorte o mesmo tem sido apoiado pelo seu sindicato, que tem contestado o seu despedimento.

Richard Krege, Austrália, foi também despedido mas encontra-se em negociações para uma possível readmissão e prefere não discutir o assunto. Também na Austrália o Dr. Fredrik Töben foi levado a tribunal no passado dia 6 de Fevereiro.

No distante Canadá o professor universitário de ciência política, Shiraz Dossa, que foi a Teerão defender a veracidade do Holocausto, não escapou à perseguição [3] e encontra-se surpreso por a universidade na qual trabalha não ousar defender a sua liberdade académica, tem sido exigido o seu despedimento e o assunto ainda não se encontra encerrado.

O mais curioso é que nem os conferencistas judeus escaparam à perseguição, o caso mais chocante é o do rabino Moshe Aryeh Friedman, primeiro foi expulso de um hotel em Nova Iorque [4], depois excomungado [5] e finalmente os seus quatro filhos foram expulsos da escola que frequentavam na Áustria [6] com a garantia de que nenhuma outra escola judia os irá receber.

Em Inglaterra o também rabino Ahron Cohen, da Neturei Karta, Este homem foi lá defender a tese oficial e rejeitar o aproveitamento dos seus familiares desaparecidos pela "indústria do Holocausto", foi uma das muitas vozes anti-teses revisionistas que lá esteve, mas por ter ousado participar com aqueles que o sistema sionista prefere fingir que não existem, por ter ousado debater em vez de ofender: é perseguido...
Ninguém está a salvo da sacra religião holocáustica, nem os judeus que a defendem... Cohen necessitou de escolta policial para sair da sua própria casa e muitas das lojas judias de Manchester recusam agora tê-lo como cliente [7]... eis as amplas liberdades e a democracia ocidental que temos em acção!

Escusado será afirmar que tanto Friedman como Cohen, e os restantes participantes judeus, se encontram agora proibidos de entrar em território israelita. Mais, todos aqueles que discursaram em Teerão, tenham sido a favor ou contra as teses oficiais do Holocausto, se encontram sujeitos a uma queixa crime por parte do Fórum das Organizações Judias da Bélgica, esta com o intuito de “desencorajar” que os mesmos visitem a Bélgica [8].

No meu caso nada de grave sucedeu, fui suspenso da direcção de uma associação sindical que ajudei a fundar em 2006, que entretanto já foi dada como extinta [9], e aceitei o pedido que me foi feito de abandonar de livre vontade a associação – a outra opção era a de aguardar um processo disciplinar – pela recusa em afirmar publicamente que repudiava o conteúdo da Conferência em que participei, não tendo efectuado qualquer discurso, e em que deveria repudiar igualmente o regime iraniano como um regime autoritário e antidemocrático. Mais um caso de auto-censura libertária do que uma verdadeira perseguição.

São estas as atitudes democráticas que os regimes europeus, e ocidentais, desejam impor?

 

[1] http://www.ejpress.org/article/news/iran_-_holocaust/12289

[2] http://rawstory.com/news/2006/Swedish_teacher_suspended_over_atte_12142006.htm

[3]

http://www.normanfinkelstein.com/article.php?pg=11&ar=750 e

http://www.haaretz.com/hasen/spages/804590.html

[4] http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1167467740944&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull

[5] http://jta.org/page_view_breaking_story.asp?intid=6410

[6] http://www.estadao.com.br/ultimas/mundo/noticias/2007/fev/07/247.htm?RSS

[7] http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1164881923366&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull

[8] http://jta.org/page_view_breaking_story.asp?intid=6241

[9] http://www.acinterpro.org


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