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de Ward Boston Jr. Faz agora 40 anos que me pediram para investigar o ataque mais feroz lançado contra um navio americano, desde a II Guerra Mundial. Como consultor jurídico superior da Comissão de Inquérito da Marinha cabia a mim ajudar a descobrir a verdade sobre o ataque Israelita, em 8 de Junho de 1967, ao Liberty, navio dos Serviços Secretos da Marinha. Naquele dia ensolarado e limpo a Força Aérea e a Marinha de Israel bombardearam o Liberty, durante duas horas, infligindo 70% de baixas. Morreram 34 marinheiros americanos e 172 ficaram feridos. O navio só se manteve à tona de água graças aos esforços heróicos da tripulação. Israel declarou que se tratou de um acidente. Contudo sei, devido a conversas com o falecido Almirante Isaac C. Kidd – Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito – que o Presidente Lyndon Johnson e o Ministro da Defesa Robert McNamara mandaram-no concluir que o ataque fora um caso de “confusão de identidade”. O daí resultante encobrimento assombra-nos há 40 anos. Que é que significa para a nossa segurança nacional, já não falando para a nossa capacidade de negociar a paz no Médio Oriente, não podermos questionar as acções de Israel, mesmo quando matam americanos? Hoje, os sobreviventes do cruel ataque de Israel vão reunir-se em Washington para prestar homenagem aos seus camaradas mortos, às mães, irmãs, viúvas e filhos que deixaram para trás. Eles continuarão a exigir um inquérito parlamentar justo e imparcial que, pela primeira vez, permita aos próprios sobreviventes deporem publicamente. Mantive-me calado durante anos. Sou militar e quando recebo ordens do Ministro da Defesa e do Presidente dos Estados Unidos, acato-as. Porém, as tentativas de reescreverem a História e a minha preocupação pelo meu país levam-me a dar a conhecer a verdade. Deram uma semana ao Almirante Kidd e a mim para reunirmos provas para a investigação oficial da Marinha, embora ambos calculássemos que uma verdadeira Comissão de Inquérito levaria, pelo menos, 6 meses. Fomos para bordo do navio danificado, no mar, e entrevistámos os sobreviventes. As provas eram claras. Ambos estávamos convencidos de que se tratava de um ataque deliberado para afundar um navio americano e assassinar toda a tripulação. Tenho a certeza que os pilotos israelitas e os comandantes que ordenaram o ataque sabiam que se tratava de um navio americano. Vi a bandeira americana crivada de balas que fora hasteada pela tripulação depois da primeira bandeira ter sido eliminada durante o ataque. Ouvi declarações que tornaram claro que os israelitas não queriam sobreviventes. Não só atacaram com napalm, tiros de canhão e mísseis, como também torpedeiros israelitas metralharam, de muito perto, três barcos salva-vidas que tinham sido lançados à água numa tentativa de salvar os feridos mais graves. Estou chocado de ver os apologistas de Israel afirmarem que se tratou de um caso de “confusão de identidade”. O Almirante Kidd contou-me que depois de receber ordens do Presidente para encobrir a verdade, mandaram-no reunir-se com dois civis, da Casa Branca ou do Ministério da Defesa, para reescrever algumas partes do relatório da Comissão. Ele disse-me: “Ward, eles não estão interessados nos factos. É uma questão política, e não podemos falar do assunto.” Mandaram-nos “abafar” o assunto e avisar todos os envolvidos que jamais falassem do que tinha acontecido. Sei que a transcrição da Comissão de Inquérito que foi divulgada não é a mesma que certifiquei e enviei para Washington. Sei isto porque, devido a exigências de tempo, foi necessário corrigir à mão e rubricar uma quantidade substancial de páginas. Examinei a versão tornada pública e não vi página alguma com as minhas correcções e a minha rubrica. Além disso, o original não tinha páginas brancas, como é o caso da versão tornada pública. Mas há mais. O depoimento do tenente Lloyd Painter, quanto às tripulações dos torpedeiros israelitas terem deliberadamente metralhado os barcos salva-vidas, que me recordo claramente ele ter feito perante a Comissão de Inquérito e que incluí na transcrição original, desapareceu. Junto a minha à voz dos sobreviventes para que se faça um inquérito honesto. Por que não se pode interrogar Israel no Congresso, nem quando mata americanos? Deixem depor os sobreviventes. Deixe-me depor a mim. Deixem os antigos oficiais dos Serviços Secretos depor que receberam traduções do hebraico para inglês de comandantes israelitas a darem instruções aos seus pilotos para afundarem “o navio americano”. Divulgar a verdade sobre o que aconteceu a soldados americanos num ataque sangrento é decerto mais importante que proteger Israel. E uma espera de 40 anos deve ser mais que suficiente. ______________________________________________________________ Boston desempenhou o cargo de consultor jurídico da Comissão de Inquérito da Marinha para o ataque ao navio dos Serviços Secretos da Marinha Americana, Liberty. Antes de ser destacado para o Navy’s Judge Advocates General Corp., também foi aviador naval, durante a II Guerra Mundial, no porta-aviões Yorktown e agente do FBI. http://cfx.signonsandiego.com/uniontrib/20070608/news_lz1e8boston.html Lido: 2342
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