Droga: Tristeza (e incapacidade) Nacional
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Por João José Brandão Ferreira
Tcor Pilav (Ref)

Passei recentemente, por duas vezes, em ruas da Mouraria. Aquilo está uma verdadeira vergonha. Ambiente degradado, lixo, desordenamento e pior que tudo, topando-se amiúde com seres humanos que damos graças a Deus não serem familiares nossos e a que, seguramente, ocultaríamos a estrangeiros que fossem nossos compatriotas.

É isto um bairro tido como popular, de Lisboa, dos mais antigos da capital, cheio de tradições e castiço e que concorre todos os anos à melhor marcha de Lisboa. É uma tristeza e uma tristeza que se passa nas barbas das autoridades e da população.

Nem uns nem outros, aparentemente, se dão ao trabalho de se molestar com o triste espectáculo que os seus olhos não podem deixar de ver.

Uma das razões principais para tudo isto é a degradação operada pela via do tráfico e consumo de drogas, que piorou exponencialmente quando as autoridades “limparam” o Casal Ventoso. Consumo e tráfico, faz-se a céu aberto, de noite e de dia, à frente de toda a gente. Faz-se até a uns metros de uma esquadra da Polícia...

Tudo isto prefigura uma sociedade doente. Profundamente doente.

Tem-se gasto milhões de euros no “combate” ao consumo e prevenção da droga o que encontra apenas paralelo nos milhões de caracteres usados em artigos de opinião e outros tantos vocábulos expressos em debates, colóquios, conferências e grupos de trabalho. Os resultados são medíocres. Cumulativamente têm sido desmanteladas às dezenas as redes de tráfico; numerosos traficantes estão presos (não se sabe é por quanto tempo...); toneladas de droga apreendida. Não se sabe onde existem prisões para guardar tanta gente, mas sabe-se que o tráfico e o consumo continuam lá dentro. E há até cobertura, oficiosa, para tal estado de coisas, pois é uma maneira de conter as “tensões” dentro de limites aceitáveis!... A gente vai sabendo estas coisas e nem quer acreditar.

À volta de todo este estado de coisas, vão prosperando um conjunto de negócios, clínicas de reabilitação, organismos oficiais para tratar o assunto, proliferação de fármacos; branqueamento de capitais e por aí fora.

No meio disto tudo, um conjunto de “adiantados mentais” baralharam parte apreciável da sociedade com doutrinas erradas e surrealistas; a organização da justiça paralisa a acção das forças policiais; os “media”, políticos e intelectuais, poluem a opinião pública com teorias de desculpabilização, que alimentam o vício, destroem qualquer tipo de censura social e protegem objectivamente as actividades criminosas.

O cidadão comum, que trabalha, cumpre as suas obrigações e se porta bem, é que para além de sofrer com todo este mau aspecto; aguentar com a insegurança, o aumento da criminalidade, quando não acaba infernizado por algum membro da sua família ter sido agarrado nas malhas desta engrenagem, ainda tem de pagar os devaneios demagógicos, pedagógicos e judiciários que as sucessivas lideranças políticas, tolhidas de autoridade, confiança e saber, inventam amiúde para (pseudo) satisfação das massas!

Os auto proclamados técnicos nestas matérias conseguiram convencer muitas mentes que quem se droga é um doente, tem de ser tratado e não punido. Como se os vícios fossem apenas doenças! Porque não desculpam os batoteiros? Os pedófilos? Os cleptomaníacos? E os traficantes? Bom, bastava que legalizassem o comércio para que tais “deserdados” da sociedade se transformassem em honestíssimos homens de negócios! O que é inverosímil é que em paralelo passassem a fazer campanhas enormes contra o tabaco e as companhias tabaqueiras, porque o tabaco faz mal à saúde!... a droga parece que não faz ...

Não há pachorra!

Deixo um alvitre.

Não gostaria de chegar a situações extremas como em Singapura (mas lá que resultam, resultam!). Lembro, porém, que para os lados de Penamacor existe um antigo quartel do Exército onde em tempos (certamente jurássicos!), funcionou a primeira companhia disciplinar, que se destinava a acolher os mancebos que por via de possuírem cadastro eram ali colocados quando chegava a sua vez de cumprirem o serviço militar obrigatório (de saudosa memória!).

Porque é que não se remodela o local (não é preciso muito!), e se põem lá os drogados todos? Não, não é inconstitucional, esses nossos concidadãos – que se recusaram aliás a sê-lo –, por via do vício que têm, deixaram de ser livres, logo são inimputáveis para determinadas responsabilidades e incapazes de decidirem do seu destino. Tornaram-se um peso e um perigo para a sociedade.

Vão por mim: coloquem-nos em Penamacor, ponham lá médicos e enfermeiros para os acompanharem – eles afinal estão doentes!... –, agora obriguem-nos a ganhar o pão de cada dia, ponham-nos a trabalhar, na agricultura, na pecuária, nos ofícios, em algo, mas a trabalhar e no duro. Obriguem-nos a fazer desporto e paguem-lhes as mais valias que eventualmente produzam. Vão ver como eles se curam depressa; os outros ficam sem vontade de experimentar e a maioria dos chefes de família, deixam de ter que os aturar e de os pagar!

Os traficantes, que restassem, pois a clientela sumia-se, iam para uma Penamacor, mas muito mais dura.

Verão que dá resultado. Alguém quer apostar?


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  Comentários (1)
1. Escrito por Silvio Coentro, em 19-11-2010 18:50
Até que enfim que encontro alguém que sabe que a 1ª COMPANHIA DISCIPLINAR existiu!!! É que eu estive aproximadamente 13 meses nessa companhia,não como recluso mas como soldado CAR Condutor,estive lá em 1977/1978.Penamacor é uma pequena vila na serra da Malcata,porém de uma beleza incrivel.A 1ªCD não existe mais.O edificio foi remodelado e passou para os civis.

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