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Por João J. Brandão Ferreira As discotecas começaram por ser criadas para serem locais de convívio e diversão. Eram poucas e só para gente endireinhada. Os outros contentavam-se em dançar nas garagens de quem as franqueava ou encontravam-se nas matinés dançantes dos clubes de bairro. O seu número passou a subir com o aumento do poder de compra e as modas ocidentais, passando rapidamente a feira de vaidades do jet set de cada época e filão inesgotável onde as revistas cor de rosa e os jornais de escândalos se alimentavam q.b.. Pelo meio, constituíam adrede um bom negócio, animavam zonas de vilas e cidades, chegando em certos casos até, a serem uma mais valia para o turismo. Havia regras, horários, fiscalização. Mas como cada medalha tem o seu reverso e como tudo na vida pode dar para o Bem e para o Mal, o fim de muitas discotecas foi, lenta ou abruptamente, deslizando para antro de negócios menos claros e para o lado negro da sociedade. A complexidade crescente da vida contemporânea e as extensas vulnerabilidades dos regimes democráticos, como são entendidos no Ocidente, potenciam este tipo de deriva e tornaram mais difícil o seu controle, contenção e criminalização. Foi assim que o número de casos de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico e consumo de drogas, contrabando e locais dados como frequentados por máfias internacionais e suspeitos de bandidagem vária, noticiados nos órgãos de comunicação social, passem por discotecas e outros locais de diversão nocturna de reputação mais duvidosa. E tem sido para locais destes e de outros com potenciais características idênticas que a totalidade da juventude tem sido “empurrada” para se divertir e gastar aquilo que nenhum modesto chefe de família consegue entender como jovens estudantes sem emprego conseguem ter no bolso. Ou seja, a nossa juventude, em vez de se aplicar nos estudos, praticar desporto, aprender artes, ganhar referências cívicas, enriquecer o espírito, etc., gasta tempo considerável da sua existência, em coios de vício; espaços vazios de sentido, predadores de referências úteis e hábitos de trabalho, arruinando a sua saúde física e mental em locais impróprios à natureza humana. Tendo isto sido reconhecido como um bem(?),os poderes públicos alargaram liberalmente o horário de funcionamento de tais tugúrios para que os mesmos pudessem aumentar filantropicamente os serviços que oferecem!... Como se isto não bastasse, os propiciadores dos eventuais ilícitos – não podem ser outros –,dão-se a pisar os calos uns aos outros e resolvem à moda do Texas, no século XIX, ou ao estilo de Chicago nos anos 30,em resolver as disputas a tiro ao que mais estará para se ver. Como isso fez barulho e veio nos jornais ouvimos algumas piedosas declarações de várias cabecinhas com responsabilidades no governo da cidade. O mal já vai extenso e quando não é morto à nascença, arrisca-se a ficar incontrolável. Lido: 2206
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