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Por Flávio Gonçalves Tendo um já longo e pesado passado de idealismo político tenho notado que, de ano para ano – ou mesmo de dia para dia, é cada vez mais difícil conseguir-se ser verdadeiramente libertário sem atrair atenções negativas, já que o ideal libertário comporta que se defenda acima de tudo uma liberdade de expressão que se encontra cada vez mais ameaçada quer por leis restritivas criadas pelos governos nacionais ou impostas por Bruxelas, quer pelo obscurantismo ideológico que pintou o mundo a preto e branco, dividido em "bons" e "maus", que resulta em que os libertários a sério – que defendem uma liberdade de opinião e pensamento absoluta para todos – sejam acusados umas vezes de "fascistas" e outras de "comunistas", dependendo do alinhamento político (divisão direita/esquerda) de quem discorda com determinado ponto de vista. No exemplo português temos cada vez mais decisões governamentais que são aprovadas à margem da opinião popular (os casos mais recentes são a Flexisegurança e o Tratado Europeu), temos uma entidade reguladora da comunicação social – coisa que não me parece propriamente democrática, e nas universidades, jotas políticas e colunas de opinião dos jornais testemunhamos aquilo a que Joaquim Letria em tempos chamou de "auto censura", em que determinadas opiniões não são propositadamente tornadas publicas pelos seus autores com o receio de parecer mal ou de suscitar uma reacção negativa por parte dos professores, editores ou mesmo de determinado sector público organizado em algum lobby. Já nem é necessária uma polícia política: actualmente as pessoas censuram-se a si mesmas de modo a evitar complicações. E quando não o fazem, acabam por ceder a pressões dos próprios familiares, cônjuges ou amigos mais chegados. Será que actualmente testemunharíamos novamente, como aconteceu no passado, a uma defesa acérrima por parte do libertário Noam Chomsky à liberdade de expressão académica de Robert Faurisson (revisionista do Holocausto)? Será que hoje em dia para ser democrático e libertário é necessário ser intolerante para com pontos de vista que não nos agradam, tornando-se os democratas em ditadores? Em pleno século XXI ainda temos direita que ache que os comunistas são todos maus e esquerda que ache que os outros que discordam dela são todos fascistas e, portanto, maléficos por natureza? À medida em que as sociedades se tornam cada vez mais controladas e autoritárias, não se tratando já duma questão de capitalismo versus comunismo e nem sequer de esquerda versus direita mas tão só de cidadãos que defendem a liberdade e de Estados que cada vez mais a tentam negar, tudo mui democraticamente e para segurança da população em geral, não seria já altura de ultrapassarmos certos dogmas que nos forçam a ignorar os outros seres humanos tal como são? Eu sinto na pele que cada vez mais é difícil manter-se fiel a um ideal libertário quando todos em nosso redor, não só o Estado, se escudam em superioridades morais abstractas que os tornam a eles numa autêntica polícia política autoritária, acusando e atacando qualquer um que recuse fazer parte do rebanho politicamente correcto, tudo o que não seja preto ou branco por natureza é pintado à força de modo a caber no ambiente totalitário actual, mais auto infligido que imposto – uma vez que este ambiente se foi criando tão lentamente, mas tão lentamente, que mal demos por ele… mas agora afecta-nos a todos. Ainda vamos sobrevivendo e resistindo, mas até quando? http://registoprovisorio.blogspot.com Lido: 8106
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