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Por Israel Shamir Fonte: LUSO 12.1.2008 Os Palestinos são o povo com maior espírito de liberdade que há no mundo. Demonstraram-no este mês de Junho, quando irromperam pelas infames câmaras de tortura de Dahlan (2) e libertaram os prisioneiros; e expulsaram os rufiões treinados pela CIA, mandando-os para os seus patrões judeus. Sinto orgulho pela sua singular vitória: os americanos não se libertam de Guantanamo nem das suas prisões apinhadas com milhões de prisioneiros (mais do que o Gulag do tio Zé dos Bigodes); os britânicos não conseguem desmontar as suas câmaras de vigilância; os sauditas não são capazes de expulsar os seus dominadores da CIA. Poucos povos conseguem eliminar a máquina de medo e opressão, esmagar estes clones da Gestapo da polícia de segurança que crescem como cogumelos por toda a parte. Na futura Palestina, a queda da Prisão da Segurança Preventiva de Gaza será celebrada do mesmo modo que os Franceses celebram a Queda da Bastilha. Esta é a vitória do povo contra a opressão. Além disso, esta é a vitória da lei contra a ilegalidade, pois a Palestina tinha, e ainda tem, o seu governo legítimo, enquanto o aparato canalha da segurança tentou colocar-se acima da lei. Uma verdadeira vitória do povo, pois ela foi conseguida sem vingança e sem desnecessário derramamento do sangue. Os media israelitas obtiveram farto pábulo dos 60 homens da segurança que pediram protecção israelita, mas, na verdade, mesmo desta pequena (em toda a medida) multidão, mais de metade pediu o regresso a Gaza. Eles sabiam que não haveria vingança, nem rolar de cabeças, nem uma Noite das Facas Longas, nem os julgamentos de Moscovo, para os lutadores da Fatah: o povo venceu, não há guerra civil, nenhum importante derramamento de sangue; os bandidos da segurança perderam, e agora têm a oportunidade de se tornarem outra vez homens. Magnanimidade, generosidade, sentimentos fraternos foram as marcas da revolução popular. Tentando semear a discórdia, como sempre fazem, os principais periódicos apresentaram esta gloriosa revolução como uma vitória da Hamas sobre a Fatah (3). Isto é um exagero. O povo de Gaza lutou contra os bandos de Dahlan, contra criminosos sem lei que tentaram estabelecer o seu domínio e violência sobre a Faixa. (...). Estes bandos eram os restos de um sinistro poder anterior, postos em acção pelo Saruman (4) israelita, e a sua derrota era apenas uma questão de tempo. Mas Dahlan não é a Fatah; nem o é também Mahmud Abbas, coroado pelos EUA e por Israel rei do bantustão de Ramallah. A verdadeira Fatah é Maruan Bargouti, ainda preso no Gulag Judaico, e outros homens maravilhosos e bons lutadores que levaram o nome da Palestina da batalha de Karame (5) para a Intifada. Eles são a verdadeira Fatah, e o seu lugar está guardado no Átrio da Glória da Revolução Palestina. Conheço os lutadores da Fatah; encontrei-os nas suas aldeias nos montes da Palestina, descansando um pouco após muitos anos de exílio e prisão. Grande povo, que estava tão perturbado pela vergonhosa submissão ao diktat dos israelo-americanos como os demais. A vitória do povo de Gaza pode mobilizá-los para a devida limpeza da casa, para o regresso às suas próprias tradições revolucionárias. Dahlan e Rajoub, esses rufiões da segurança e seus aliados políticos Abu Mazen e Saeb Erekat roubaram, ou melhor, privatizaram o nome da Fatah, tal como os patrões da KGB privatizaram o comunismo e as elites judeo-mamonitas privatizaram o livre empreendimento dos pais fundadores americanos. Que nenhum lutador da Fatah se sinta perturbado pela derrota de Dahlan. Além disso, eles podem seguir a pista e livrarem-se dos lobisomens que abusaram do nome da Fatah ao serviço do Shin Bet (6). Jonathan Steele (7) fez-nos lembrar, correctamente, que «armar insurgentes contra governos legítimos é uma longa tradição dos EUA, e não é por acidente que Elliott Abrams (8), o conselheiro da segurança nacional americana e aparente arquitecto da subversão anti-Hamas, foi um jogador-chave no fornecimento de armas de Ronald Reagan aos Contras que lutaram contra o governo da Nicarágua eleito nos anos de 80». Mas esses Contras, em toda a parte presentes em todas as revoluções, os Chouans da Vendeia (os Contras da Revolução Francesa), os Cossacos do Don (os Contras da Revolução Russa), a Unita de Savimbi (os Contras da revolução angolana), tinham alguma razão do seu lado, e expressavam alguns interesses legítimos. É por isso que aprovamos e apoiamos o carácter cordial da revolução da Hamas: a prontidão da Hamas em cooperar com os elementos mais sãos da Fatah pela causa palestina. Contudo, alguma coisa se pode e se deve aprender: a chefia da Fatah sucumbiu à tentação israelo-americana devido à sua ideologia defeituosa. O nacionalismo, esta arma de desintegração geral (9), foi trazida para o oriente pelos colonizadores ocidentais afim de dividir e conquistar. Até ao século XIX, o Oriente não conheceu o nacionalismo, pois unia-se pela fé e era governado pelos seus chefes, descendentes de Constantino, o Grande (10), e Soleimão, o Magnífico (11). T. E. Lawrence levou os bacilos do nacionalismo para o Hejaz na sua garupa cheia de informações de espionagem, e minou esta unidade oriental. Ele prometeu aos Árabes independência dos “odiosos turcos otomanos”, mas nada de bom resultou da sua traição: os colonizadores britânicos, americanos e mais tarde os sionistas partilharam os despojos, enquanto os nativos ficaram ainda mais oprimidos. O nacionalismo é necessariamente uma espécie de ideologia particularista, “faze tu sozinho”. Na Palestina, Egipto e Síria, esta ideologia era compensada por um socialismo universalista, mas com a evaporação deste elemento socialista, a Fatah ficou com o seu nacionalismo defeituoso, destinado ao malogro. “Eles são nacionalistas como nós”, dizem os sionistas, desde Sharon a Avnery, a respeito da Fatah. “Eles ficarão felizes com uma bandeira, um hino e uma conta na Suíça — tal como nós. Ficarão contentes com um Bantustão ou dois.” Mas os Palestinos não são susceptíveis de atraiçoarem a Palestina por uma ilusão de independência. Todos os Palestinos, ou seja, todos os habitantes da Palestina, naturais ou imigrados, precisam dela toda, não de apenas dos 2% de Gaza e dos 10% dum enclave de Ramallah, mas de 100%. Nós todos podemos tê-la toda, não dividindo-a, mas compartilhando-a. O Islão é uma fé universal, como o Cristianismo, e as suas bases religiosas são mais apropriadas para um estado universal do que para o nacionalismo de ontem, árabe ou sionista. Um processo semelhante está a acontecer na Turquia, onde o nacionalismo de Kemal se tornou aliado da América, apoiado pelas baionetas dos soldados, mas o partido islâmico é a escolha do povo. O povo do Oriente acredita em Deus; é por isso que Ex Oriente Lux. E também sabe por experiência própria que os povos sem Deus não têm escrúpulos nem compaixão, e é de chefes compassivos que precisamos. Não se faça caso do espantalho do “Islamofascismo” ou do “Perigo Islâmico”. É um mito, criado por Podhoretz (12) e seu clan, uma ameaça inventada, como o Perigo Amarelo, o Paneslavismo, o Comunismo. Não temos medo dos seguidores do Islão, porque sempre vivemos com eles. O processo construtivo da nação da Palestina está muito longe de se completar. Um novo paradigma tem de ser encontrado para unir as suas tribos numa só sociedade, desmontando a Autoridade Nacional Palestina e o Estado Judaico, como foi correctamente enunciado por Avrum Burg (13). A separação e a tendência para a independência desta ou daquela parte da Palestina tornou-se uma estratégia falida. A Palestina não pode ser dividida. Os amigos da Palestina e os amigos de Israel devem cooperar para unificarem, não para separarem. (traduzido do inglês por LUSO) (1) A palavra “fatah” significa “vitória”, e é um acrónimo de Harakat at-taHrir al-filastiin (da direita para a esquerda), que significa: “Movimento de Libertação da Palestina”. Admite a existência do estado de Israel. LUSO Lido: 7640
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