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Doze perguntas aos candidatos a Presidente dos EUA: o que pode o Mundo esperar de vós? De Helmut Schmidt, antigo Chanceler da República Federal Alemã Traduzido de “Zeit-Fragen” de 3 de Março de 2008 Se os europeus pudessem participar nas eleições primárias americanas, eu teria algumas perguntas a fazer aos candidatos dos dois grandes partidos. É que descobrimos, nestes últimos cem anos, que a política externa de todos os presidentes americanos tem um significado enorme para nós europeus. No Outono de 2003, o Presidente Bush júnior mandou anunciar: “mission accomplished”. Porém, ainda hoje, decorridos quase cinco anos, os futuros objectivos e caminhos da América continuam tão pouco claros como na altura, contudo, acrescidos de novas incertezas. Dado que nem o caminho político percorrido pelos candidatos, até agora, nem os seus discursos deixarem perceber qual a política externa que pensam seguir, caso venham a ser eleitos, gostaríamos que cada candidato fizesse um discurso abrangente sobre o assunto. Como europeus, desejamos respostas a perguntas que não apenas digam respeito à América. Que também tenham a ver com a Europa. As perguntas incluem as guerras no Iraque e no Afeganistão, mas ultrapassam os actuais teatros de guerra. - Como pretende acabar com a guerra no Iraque? Quais os meios que vai implementar? No fim, qual será o aspecto do Iraque? - Qual é o seu objectivo no Afeganistão? É a eliminação da Al Qaeda, apenas, ou também dos Taliban? Ou é o estabelecimento de uma democracia? - No caso de a Al Qaeda se mudar definitivamente para o Paquistão e conseguir obter acesso ao armamento nuclear paquistanês, atacaria militarmente o Paquistão? - Qual é a sua estratégia para uma solução pacífica para o conflito israelo-árabe que dura há meio século? Vai empenhar-se pela criação de um Estado palestiniano, ou a Conferência de Anapolis será apenas um episódio? - Depois de os media americanos terem confirmado que o Irão desistiu do seu programa de desenvolver armas nucleares, qual é a futura política que os EUA pretendem seguir para com este país? - É de opinião que, além do Médio e do Próximo Oriente, a “Rússia é o outro grande desafio para a segurança global (segundo Zbigniew Brzezinski)? Ou partilha a nossa opinião que a Rússia, desde Gorbachov, não violou militarmente as suas fronteiras e que se tem mostrado mais pacífica do que no tempo dos czares ou da União Soviética? A instalação das projectadas bases ABM, na Polónia e na República Checa, deverão servir para a defesa destes países e para a defesa dos EUA, ou são para intimidar a Rússia? Aceita o papel político e económico internacional da Rússia? - Aceita o papel económico e político internacional da China? Vai finalmente convidar a China para as cimeiras internacionais? - Vai cumprir os deveres da América provenientes do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares? Vai restabelecer o Tratado ABM para impedir uma nova corrida ao armamento anti-balístico que o seu antecessor imprudentemente revogou? Vai finalmente ratificar a adaptação do Tratado FCE sobre forças armadas convencionais na Europa, algo que o seu antecessor se negou a fazer até agora? - Mediante o facto de dois presidentes americanos não terem aderido ao Tratado de Quioto, a América passará a participar na redução das emissões de gases de efeito de estufa, acordado num tratado? - A sua política interna e financeira esforçar-se-á por equilibrar a altamente deficitária dívida externa? A América vai parar de gastar grande parte das poupanças e da constituição de capitais das outras nações? Vai empenhar-se por uma ordem e fiscalização acordadas dos mercados financeiros internacionais altamente especuladores? - A Carta das Nações Unidas também é válida como direito internacional para a América? Desde o estabelecimento dos Estados Unidos da América, tendências isoladoras, tendências imperialistas e tendências internacionalistas desempenharam, alternadamente, um papel importante na política externa americana. Muitos europeus consideram a política internacional unilateral do actual presidente produto de uma atitude política imperialista. Mas, ao mesmo tempo, mantivemos a confiança nos instintos democráticos da nação americana. Para nós, a América continua a ser um refúgio da liberdade e do conhecimento. Estamos cientes que o mundo não pode ser ordenado apenas pelo Ocidente. É que os Estados Unidos perfazem apenas 4,5%, e com a União Europeia apenas 12%, da população mundial. No meio deste século, descerá para 9%. Embora a confiança dos europeus na administração americana esteja abalada, queremos manter a comunidade atlântica. Gostaríamos de voltar a amar a América. Contudo, estamos sépticos porque, há 10 anos para cá, Washington só nos consulta quando se trata de tropas auxiliares e de finanças. Nós, europeus, conhecemos as nossas fraquezas. Se bem que tenhamos regulamentação uniforme, quanto aos nossos teleféricos e a profundidade dos tanques de água nos nossos jardins zoológicos, uma “política externa comum” da União Europeia continua apenas a existir em teoria. É por isso que esperamos que o novo presidente tenha uma política externa racional e multilateral, uma vez que estamos convencidos da vitalidade da América. Fonte: Die Zeit de 31.1.2008 Lido: 3177
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