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Por Joaquim Reis A questão do Rendimento de Cidadania é essencialmente moral. Hoje em dia não é moral, nem decente, nem justo, nem honesto, que haja pessoas a receberem esmolas do Estado, as chamadas “pensões de miséria”, que haja desempregados a perderem os seus subsídios se, ao fim de certo tempo, não se sujeitarem a um emprego qualquer, que haja pessoas que tenham de suportar um trabalho a que são obrigadas por força das suas necessidades básicas de subsistência. O ser humano deve ser dignificado – ele é DIGNO, porque criatura de Deus –, e ele não o pode ser se passar fome, se não puder educar os seus filhos, se se vestir de trapos, se viver num tugúrio miserável. Só um Santo pode viver nestas condições, mas não podemos esperar que milhares, dezenas de milhares e muitos milhões à escala mundial sejam santos, porque são simplesmente animais degradados. O Rendimento de Cidadania, que não é uma pensão, nem um subsídio, e muito menos uma esmola, deve ser instituído porque é a única maneira de salvar a Humanidade, contra os egoístas, os criminosos sociais, os adoradores de Mamona, os que não sendo capazes de SER adoptaram a condição de TER, indiferentes à sorte do seu semelhante fraco e miserando. Impossível o Rendimento de Cidadania? É isso que queremos estudar e discutir. E que Deus me ajude que sou ignorante! DEO JUVANTE ME IGNORANTEM! O Rendimento de Cidadania Já aqui foi dito que Economia e Finanças não são uma ciência exacta. Pelo contrário, são conhecimentos empíricos, incertos, contingentes, aleatórios. Tem-se-lhes tentado aplicar a matemática, mas, esforço inglório, apenas se consegue aplicar modelos matemáticos que ajudam a compreender, mas de nenhum modo permitem quantificar e calcular. Imagine-se pois o ridículo que é ouvir os políticos a falarem de crescimento económico de 2,1%, por exemplo, e que se quer atingir a meta de 2,5%. Tudo isso são falácias, que, quando muito, impressionam o patego do eleitor. Bases sólidas para tais cálculos não as há: inventam-se sabe-se lá como. A menina bonita dos economistas hodiernos é a “economia de mercado”, ou economia livre. Uns vendem (oferta), outros compram (procura) e do livre jogo dos intervenientes surgem os preços dos produtos e a economia estabiliza-se e a sociedade vive no bem-estar. Isto é falso. Não há economia livre nem livre jogo da oferta e da procura. Há sim: manipulação, especulação, ganância, ludíbrio, e os honestos geralmente ficam a perder. O jogo económico que na Antiguidade era moral passou nos dias de hoje a jogo de egoísmos desencontrados. Lembremo-nos só que antigamente era considerado imoral emprestar dinheiro a juros. Depois da I Guerra Mundial, o Tratado de Versalhes obrigou a Alemanha a pagar aos pseudo-vencedores indemnizações altíssimas e injustas. A situação era tal que o governo alemão passou a imprimir notas de banco em tal quantidade que se instalou uma hiper-inflação, e em 1923 o valor do marco alemão era praticamente nulo, chegando o dólar americano a valer qualquer coisa como triliões de marcos, e parece ter havido casos em que alemães se aqueciam no inverno em lareira acendida com notas de banco, tal era a sua profusão. O governo alemão viu-se obrigado a criar um marco novo, e — milagre dos milagres! — a partir daí a inflação cessou completamente. Porquê? Porque os Alemães, que não confiavam no marco velho, passaram a acreditar no marco novo — ide perguntar-lhes porquê! Esta é a Lei de Wilcoyote, segundo o anónimo economista do www.noeuro.it: “O dinheiro vale se as pessoas acreditarem nele”. E acrescenta esse entendido italiano: esta é a única lei válida em economia! As outras são simplesmente fantasias: a ignorância armada em sabichona! Com a experiência da hiper-inflação alemã de 1923, os economistas de então devem ter deduzido esta lei, que ainda vigora: “O excesso de moeda gera a inflação”. Isto não é verdade, ou é meia verdade. Sabe-se que o Estado norte-americano tem uma dívida pública estonteante, tão grande que, parece, todos os bens existentes nos USA seriam insuficientes para a pagar. Quem é o principal credor? Deve ser o Federal Reserve Bank (FED ou FRB), o banco emissor do dólar, propriedade particular e não do Governo Central. Os juros a pagar pelo Estado ao seu credor devem ser fabulosos. Onde vai buscar o dinheiro para isso? Aos cidadãos. E o FED acaba por receber de volta o mesmo papel que transformou em dinheiro. E para que quer ele esse dinheiro-papel? Para se apoderar de tudo que é valioso nos USA (e também no Mundo): a Imprensa, a Rádio, a Televisão, o Cinema, as Empresas, etc., que ficam pertença dos seus sócios ou accionistas. Quem manda nos USA? Os accionistas do FED, predominantemente. E concluímos que o regime político-económico-financeiro instalado nos USA, longe de ser uma democracia, é uma oligarquia plutocrática. E toda essa exploração colonialista do povo americano é feita de modo legal e aparentemente irrepreensível, por demais consentida pelo povo americano, que julga mesmo viver em liberdade e democracia. O primeiro valor materialista e imoral que vigora quase sem oposição nos USA é o Dinheiro, o Dólar, “in Go(l)d We Trust”. Esse “Go(l)d” é Mamona. Esse “deus” combate os valores morais no mundo, nomeadamente o Cristianismo, e nós, aqui em Portugal, vemos instalar-se, paulatinamente, cada vez mais, esse ateísmo materialista, imoral e degradante, que acreditamos ser democracia, porque vem da “América”, onde os verdadeiros valores morais e dignificantes do ser humanos são ridicularizados e tidos como inoperantes. O dinheiro e o “struggle for life” (luta pela vida), que deve entender-se como a “luta pelo dinheiro”. Este péssimo entendimento da vida já não é novo. Remonta certamente aos primeiros tempos da colonização das Américas. “The Americans have no faith. They rely on the power of the dollar; they are deaf to a sentiment.” – Quem o disse? Um americano famoso: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) “What is, in most cases, the American dream, but the dream of material things? I sometimes think that the United States for this reason is the greatest failure of the world ever seen.” – Eugene O’Neill (1889-1953), outro americano. “Se eu tivesse ficado mais um dia nesses horríveis... Estados Unidos, onde não há esperança, nem fé, nem caridade, eu teria morrido sem estar doente” – Honoré de Balzac (1799-1850). Poder-se-á imaginar o número fabuloso de notas de dólares que inundam o mundo? Contudo, embora o valor do dólar esteja em queda, devido à catastrófica e criminosa política seguida no mundo pela administração Bush, não se vê – pelo menos por enquanto – uma hiperinflação nos Estados Unidos. Não parece, portanto, que a produção enorme de dinheiro-papel possa ser, só por si, responsável pela inflação. O dólar continua a ser, apesar das barbaridades cometidas pelo governo americano, uma moeda forte e respeitada. Porquê? Na minha modesta opinião, a razão disso está em que os USA continuam a ser a primeira potência militar e dispõem de forças armadas em centenas de bases militares espalhadas pelo mundo. Infelizmente isso é suficiente argumento para a grande maioria da população, mesmo de países ditos evoluídos e civilizados, e nomeadamente seus políticos e governos, se avassalarem perante o prestígio do dólar, e o aceitarem como valor que em si mesmo não existe. Mas há outras razões que determinam essa vassalagem: a riqueza natural e a extensão territorial do país. Mas notemos: a Suíça é um país montanhoso, pequeno, mais pequeno que Portugal, não faz parte da U. E., e a sua moeda continua a ser o Franco Suíço, que também é oficial no minúsculo Liechtenstein. Ninguém poderá dizer que o Franco Suíço não seja uma moeda prestigiada, e não parece que esteja sujeito a inflação apreciável. Logo, o que faz este “fenómeno” suíço de independência, sem euro, sem U. E., e com moeda forte e não inflacionada? O leitor sabe a resposta. Portugal, apesar de perdidos o seu Ultramar, o seu Escudo e a sua independência por culpa duma mentalidade suicida, há já muito afligindo a sua existência, poderia voltar a ter uma moeda forte, como já a tivemos no tempo do Estado Novo. Em 1965 estive em Seattle na costa americana do Pacífico. Troquei lá escudos por dólares, o escudo era convertível nesse tempo em qualquer parte do mundo. Veio o 25 de Abril, e o escudo desapareceu em todo o mundo como moeda prestigiada, e a inflação, até então praticamente inexistente, começou a subir em flecha, até que o escudo desapareceu completamente, para ser substituído pelo Euro. Há uns 60 anos, a chávena de café, a “bica”, custava um escudo. No Porto quiseram a certa altura aumentar o preço para 1$20. Os portuenses deixaram de tomar as “bicas”, e o preço voltou para 1$00. Em 2002, o preço da “bica” era de 45$00, e com o aparecimento do Euro logo passou para €0,25. Hoje, 6 anos depois, pagamos pela “bica” €0,55 (110$00) ou €0,60 (120$00) ou €0,65 (130$00) ou mais (o preço é variável). O Euro não veio estabilizar a moeda, como muitos crédulos julgavam. O que nós quereríamos (ou deveríamos querer, se não tivéssemos esta moderna alma de escravos...) era recuperar a nossa independência da U.E., couto de banqueiros ou plutocratas exploradores, que nos tornam a vida cada vez mais difícil e menos digna. Essa desejável independência só é possível se readquirirmos a nossa moeda. Independentes, com um governo sério, honesto, honrado e competente, a nossa moeda ganharia de novo o respeito universal e, acarinhada pelo nosso povo, serviria perfeitamente as nossas necessidades, livre de inflação. Então sim, poderia ser produzida em quantidade suficiente para que todos os cidadãos portugueses pudessem ter o seu rendimento de cidadania. O problema português é nacional, não é partidário, e resulta da ignorância do nosso povo e da má qualidade dos nossos políticos, qualquer que seja a sua facção. O actual regime político, cuja política é apenas economicista e financeirista, deveria preocupar-se essencialmente com a cultura do povo e sua disciplina e apego ao bem de si próprio, colectivamente. Mas, ao que parece, não sabem, não se importam, não cuidam, desde que vivamos nesta “democracia”, cujo significado é uma autêntica mentira. Concedo que Portugal seja agora um país pequeno carente de recursos. Sim, mas a carência não se manifesta nos bens materiais: Há imensos supermercados cheios de bens de consumo e cheios de clientes, há imenso número de automóveis, a construção de prédios faz-se continuamente, e construíram-se grandes estádios e “compram-se” e pagam-se inúmeros jogadores de futebol por preços exorbitantes para se alimentar a mania nacional, o Governo pensou, mal tomou posse, na construção do TGV (para servir quem?) e dum novo aeroporto (para servir quem?), fizeram-se e fazem-se auto-estradas (para servir quem?). Alguém pensou no pobre cidadão que não vai ao futebol, que os bilhetes são muito caros? No paupérrimo, que ainda o há, que vê o futebol na televisão do café, se tiver dinheiro para pagar a tal “bica”, ou da porta do café, se não o tiver, e apenas vê passar o comboio na linha do comboio, e o avião no ar, os automóveis na auto-estrada e não vai às compras no supermercado? Pensaram no pobre doente, velho e alquebrado, a quem tiraram o posto médico para racionalizarem o sistema nacional de saúde? E para racionalizarem e modernizarem o sistema nacional de educação, fecharam escolas supostas improdutivas por terem muito poucos alunos, que ficam ao Deus dará. Pensaram nas crianças, nos pais das crianças? Pensaram nos professores, a quem pagam mal e porcamente e a quem querem tirar as poucas regalias que têm? Então há recursos ou não há recursos? Ignorante como sou, eu diria que os recursos que nos faltam são os mentais, os espirituais, os morais. Cobardes, sugestionados, preconceituosos, convencidos, ateus, e ignorantes, que possivelmente não sabem sequer governar as próprias casas, procuram governar o país. E obedecem cegamente ao BCE, comprados, subornados ao estrangeiro, porque esse é que sabe, esse é que é inteligente, esse é que tem. E encostando-se à árvore das patacas, vão vivendo na sinecura da “liberdade” da gaiola. O Povo Português, o humilde povo português, o “soberano” de Rafael Bordalo Pinheiro, continua a carregar albarda, e parece que não o sabe! Quem nos acode? Ai, meu Deus! Se esta análise que fiz está correcta, nunca assim em Portugal haverá o Rendimento de Cidadania. Mas haverá o Imposto da Escravatura, que gravará muito a vida dos mais fracos. E teremos uma albarda muito mais pesada que a dos Filipes! Em todo o caso, não percamos de vista a nossa Independência! Continuo a ouvir uma voz débil e sussurrante provinda lá dos Campos Elíseos: E ouço também as vozes vivas e estridentes dos escravos: Lido: 4590
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