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Por Eurico Ribeiro Para os lusófonos, independentemente da sua naturalidade, que olhem para os símbolos portugueses e para os profetas da "nossa" mística, temos de lhes lembrar que esses símbolos – as Quinas Sobre a Esfera Armilar – e as profecias saídas da pena de ilustres representantes da nossa filosofia, remontam ao Portugal dos Descobrimentos, do Portugal Global que se espalhou pelo mundo e que findou em 1580. Aquele Portugal que é afinal o tronco comum da mesma árvore que representa os povos falantes da língua portuguesa, descendentes dessa mesma cepa pela via genética e cultural. A sua génese é tão profunda quanto a nossa história comum e infelizmente reflectem muito pouco do Portugal estrangeirado de hoje: do ibérico, do afrancesado, do americanizado, do europeu com ideais saxónicas e nórdicas. Os símbolos ancestrais não devem causar nenhum tipo de déjà vu, de fantasmas passados do imperialismo – aliás algo que foi mais fama, criada a despeito pelas nações ignorantes da nossa filosofia e que ficou comprovado no pouco proveito que tivemos em comparação com essas mesmas nações colonialistas, que aliás o continuaram a ter. Apesar de se manterem alguns desses poucos símbolos na representação da nação portuguesa, não são mais do que ecos abafados desse passado empreendedor. Para o luso-descendente que procure Portugal pela tradição, pelo regresso às origens, pelo sentido da busca do fio condutor dos seus antepassados, dificilmente o encontrará no Portugal visível de hoje. Os que temem um novo colonialismo, não terão razão alguma porque um país amnésico e sem o músculo que construiu o nosso tronco comum, não poderá liderar nenhum processo como o finado Portugal quinhentista: não vai além do símbolo que por si só representa. Terão que ser os seus "filhos" a emanarem a nova onda civilizacional lusófona depois da sua necessária emancipação e não o ancião do qual se poderá esperar mais do espírito e menos do corpo, tal como o avô que conta as suas histórias e os seus ensinamentos aos seus netos… O ancião necessitará mesmo da ajuda dos seus filhos, do seu amparo e dos seus remédios! Quem quiser encontrar de facto a tradição, pelo regresso a casa, pelo sentido da busca do fio condutor só terá os velhos símbolos que pertencem não só aos portugueses do rectângulo formal na orla da península ibérica e suas ilhas, mas por herança a toda a civilização lusófona – em especial a todos aqueles que se revejam nesse projecto quinhentista das Descobertas, todos eles são os seus dignos herdeiros! Quem olhar para os profetas e as suas profecias, compreenderá que elas não se dirigem, como nunca se dirigiram à grandeza de Portugal como nação, mas à sua instrumentalização e sacrifício como construtora do utópico mas possível Quinto Império, imortalizado pelas Quinas, que por força teimam em continuar. Compreenderá que elas se dirigem a um movimento civilizacional alicerçado nas diferenças, mas onde importa menos as nações e mais as pessoas: a sua cultura, a sua língua e de um modo geral uma filosofia comum que torne de facto a partir de nós, os representantes da lusofonia – os propagadores da Luz – todos os outros povos mais fraternos. Como diria o Pessoa, no dia em que a utopia se transformar em realidade, Portugal como Símbolo desaparece, o avô descansará em paz porque a sua missão ficou cumprida. Lido: 2789
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