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Por Rainer Daehnhardt Muito se tem dito e escrito, nestes últimos dias, acerca do nosso Condestável, D. Nuno, agora canonizado por Roma. Não, encontrei, porém, nenhuma menção acerca das suas origens régias. Chegaram mesmo a apresentá-lo como bastardo dum clérigo, que, pela força das armas, se levantou contra a Rainha, à qual, como homem simples do povo, devia grandes favores. Na Assembleia da República pediu-se um voto de congratulação pela canonização de mais um português. Um partido absteve-se, sinal que não se interessava por esta questão. Outro votou mesmo contra. Numa época de festejos de 35 anos duma traição aos valores éticos e morais dos lusos deveres para com os povos do Mundo Português, não cai bem chamar a atenção para a glorificação de um homem, que se fez Santo, após ter lutado por tudo o que hoje é considerado de “bairrismo retrógrado”. Numa altura em que se preparam os grandes festejos duma República, que em cem anos de existência ainda não convenceu parte da sua população de que a sua implantação tenha sido o passo certo para a nação; num momento crítico para muitos países europeus, que estão a ser empurrados para a desistência total das suas soberanias em benesse da instalação dum sistema de comissariados, tão conhecidos do sistema soviético, o reconhecimento papal da santidade dum Herói Nacional Português é uma espécie de “ batata quente”, que muitos não querem. No meio de tudo isto, nem se deram conta sequer que São Nuno facilmente se pode transformar numa espécie de “bomba relógio”, de consequências inimagináveis. 100 % PORTUGUÊS Dizem que São Nuno era CEM POR CENTO PORTUGUÊS (com maiúsculas), porque punha a causa da Pátria Lusa acima da sua própria. Assim, facilmente se tornou num ideal para uma juventude ansiosa e à procura de uma razão de existência mais nobre e enaltecedora. Foram precisamente as suas acções guerreiras, meio loucas e bastante improvisadas, sempre contra adversários significativamente mais numerosos, que deram vitória ao Santo Condestável. Sem estas vitórias, o Mestre de Aviz, mesmo aclamado Defensor do Reino, não se teria conseguido manter e a Casa de Aviz teria desaparecido da História de Portugal, como mera miragem. Portugal não teria conseguido cumprir a sua segunda razão de existência – levar o Cristianismo a todos os confins do globo –, se não tivesse havido D. Nuno Álvares Pereira, o Herói que a Pátria precisava naquele momento em que grande parte da sua fidalguia já desistira da lusa causa tendo-se, colocado ao lado de Castela. O Santo Condestável teve de aplicar as leis da guerra aos seus próprios irmãos, que combateram ao lado de João de Castela. Dizem-nos que a ajuda inglesa foi decisiva na nossa vitória na Batalha de Aljubarrota (1385), e que a febre-de-malta (diarreia), que grassava no campo inimigo, também ajudou. Tudo isto teve o seu peso, mas a vitória não se deve nem aos archeiros ingleses nem aos alabardeiros alemães, nem tão pouco à febre, mas sim a inquebrável vontade de D. Nuno Álvares Pereira, que pelejava nas primeiras linhas e organizava a distribuição das forças lusas com visão e análise própria! D. João de Castela teve centenas de cavaleiros franceses ao seu lado, bem como muitos portugueses, que consideravam Castela mais poderosa e Portugal como uma “velha teimosia”, que chegara ao fim! Os franceses, que caíram nas mãos de D. Nuno, foram passados ao fio da espada justiceira, que não tem dó para quem se junta a exércitos estrangeiros para enriquecer com o eventual saque. Aos portugueses que lutaram do lado castelhano aplicou-se a lei então em vigor: “Quem sua espada contra seu Rei levantar, sem mão direita há-de ficar!”. As chacinas após a batalha obrigaram, tanto o Condestável como o Mestre de Aviz, a intervir para pôr termo ao que já não era justificável. Por diversas vezes, D. Nuno atravessou as fronteiras com os seus homens, causando fortes danos às vilas e hostes inimigas. Casos houve em que fez as suas próprias guerras contra os castelhanos, sem ordem ou autorização prévia de D. João I de Portugal, que bastante zangado ficou! Quando a guerra terminou e ocorreu grande fome em Castela, milhares de casais castelhanos vieram para Portugal pedir, por misericórdia de Deus, um pouco de alimentos. Foi D. Nuno o primeiro a organizar-se e, a expensas suas, ajudou significativamente esta gente, em verdadeira aflição! A ausência de ódio, firmeza de carácter, tolerância e prontidão em prestar auxílio, faziam tão parte da sua maneira de ser português, tal como a sua entrega total para a salvação da Pátria. O Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, foi Herói e bem merece a classificação de Santo agora recebida. Ser Herói, Guerreiro e Santo, ao mesmo tempo, parece um paradoxo e muitas vozes se fizeram ouvir para impedir ou adiar sine die o reconhecimento papal. Não é estranho que tenha sido precisamente um Papa Alemão, o primeiro em quase meio milénio, a canonizar D. Nuno? Bento XVI, o oitavo Papa Alemão, também foi guerreiro-combatente. Serviu como ajudante numa peça de artilharia anti-aérea, que disparava contra os bombardeiros americanos, que largavam a sua carga mortífera por cima das cidades alemãs. Ser Papa Alemão parece um tanto perigoso. Senão vejamos: Papas Alemães: 1º) Gregório V (996-999) foi Papa 654 dias; 2º) Clemente II (1046-1047) foi Papa 105 dias; 3º) Damásio II (1048) foi Papa 24 dias; 4º) Leão IX (1049-1054) foi Papa 1896 dias; 5º) Victor II (1055-1057) foi Papa 834 dias; 6º) Estêvão IX (1057-1058) foi Papa 240 dias; 7º) Adriano VI (1522-1523) foi Papa 614 dias. Em numerologia, os papados dos primeiros seis Papas Alemães, dão sempre o número “6” (atribuído ao Diabo) e o 7º Papa, o número “11” (tido como o número dos mártires). Provavelmente, foram todos mártires, porque se desconfia que nenhum tenha morrido de morte natural. O actual Papa, Bento XVI, já encontrou o processo de canonização do nosso Condestável em fase adiantada, no Vaticano. O pedido para o reconhecimento papal de D. Nuno como Santo começou no reinado de D. Duarte, filho do Mestre de Aviz. A oposição a esta proposta, porém, foi tanta, que apenas em 1918 se chegou á sua beatificação. O Papa actual podia ter deixado o processo pendurado, por mais alguns séculos. Não o fez! Deus saberá o porquê! É no mínimo curioso aprofundar um pouco a ascendência de D. Nuno Álvares Pereira. D. Nuno, foi filho bastardo do Prior do Crato, D. Francisco Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro do Hospital, que serviu com gente de armas suas, em Rhodes e teve nove filhos com D. Iria Gonçalves do Carvalhal, mãe de D. Nuno (ao todo teve 32 filhos). D. Francisco Álvaro, por sua vez, era filho bastardo do Arcebispo de Braga, que combatera no Salado (1340), ao lado de D. Afonso IV. Com esta ascendência, não é para admirar que o jovem D. Nuno se tenha dedicado tanto ao serviço das armas, como à defesa da Pátria e da Fé. A mãe de D. Nuno, D. Iria, era considerada “ilustre em sangue”, descendia dos Reis Germânicos da Lombardia e do Rei Bermudo II, de Leão. Podemos assim considerar o nosso Condestável de origem LUSO-GERMÂNICA-LEONINA e de sangue real. Em relação ao Reino de Leão, deve-se frisar que este, em grande parte, pertencera à Antiga Lusitânia. Salamanca foi cidade lusitana. A amizade lusa para com os leoninos salvou os templários portugueses. Foi no reinado de D. Dinis, que o Papa de Avignon obrigou à dissolução da Ordem Templária e ao julgamento dos seus membros. D. Dinis, lembrou-se da Lei da intransigente defesa dos hóspedes e combinou com o Rei de Leão que os Templários portugueses o “visitassem”, enquanto os Templários leoninos “visitassem” Portugal. Salvaram-se assim estes cavaleiros. No seu processo, em Salamanca, foram absolvidos de todas as acusações e D. Dinis transformou a secção lusa da Ordem do Templo numa nova Ordem, a qual escreveu páginas importantíssimas da História Mundial, com o nome de Ordem de Cristo. A questão da origem lombarda de D. Nuno é também de grande interesse. Os vikings foram os primeiros nórdicos a chegar, pelo mar, à zona norte da Península Transalpina, estabelecendo diversos reinos em zona geográfica, hoje considerada italiana. A Lombardia, com capital em Milão, sempre foi das mais ricas ao sul dos Alpes e cedo se estabeleceu aí um reino germânico, que integrou o Sacro Império Romano da Nação Germânica. Poderíamos pensar que se tratava de um reino tão longínquo que já não tivesse as mínimas relações com a lusa gente. Porém, foi precisamente o companheiro de armas de D. Nuno, o Mestre de Aviz e Rei de Portugal, D. João I, que enviou um dos seus filhos, o Infante D. Pedro, para combater na Lombardia, a favor da causa do Imperador Alemão, D. Sigismundo. Como é que isto nos afecta hoje? O Reino de Leão, embora há muitos séculos ligado a Castela e fazendo parte da Espanha, ainda hoje considera necessário defender a sua identidade contra a prepotência do centralismo, seja ele de Madrid ou de Bruxelas. A Alemanha continua sem Tratado de Paz, ocupada pelos aliados da 2ª Guerra Mundial e entregue a um Governo, instalado como Provisório mas com ambições de eterno, vassalo dos ocupantes. Portugal está em vias de perder a sua soberania, através do Tratado, que, vergonhosamente, tem o nome de “Lisboa”! Quando um Papa Alemão, sabendo o que eventualmente o espera, lança um SANTO GUERREIRO destes na arena da luta política global, terá certamente as suas razões!
São Miguel Arcanjo, PADROEIRO DE PORTUGAL, representado como monge-guerreiro (tal como o Santo Condestável) com a cota de malha debaixo da túnica, numa escultura do século XV (Museu Luso-Alemão). Lido: 4147
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