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Por Flávio Gonçalves A ideia para este artigo deriva de uma conversa tida com um familiar aquando da minha última visita aos Açores, já em Outubro de 2008. Este familiar referia uma teoria, desconhecida por mim, de que devido à alteração do eixo da Terra o tempo real – sentido pelo nosso organismo – já não correspondia ao tempo horário utilizado – as 24 horas do dia medidas pelo nosso relógio, daí o sentimento de cansaço mental e físico que aparentemente se alastra a toda a população do planeta e se reflecte numa manifestação global de impotência. Fiquei a matutar nesta teoria e decidido a aprofundar a questão, dediquei os meses seguintes a visitar diversos portais, entre eles o da NASA, e achei que a temática era relevante o suficiente para lhe dedicar algumas linhas. Ora bem, apesar da maior parte das pessoas não estar a par disso – puxei o tema com diversos colegas de trabalho, amigos e familiares e reagiram como se eu estivesse louco ou tivesse descoberto a pólvora – o eixo da terra mudou mesmo [1]. É facto comprovado cientificamente e que foi notícia inclusive em Portugal [2], será loucura da minha parte considerar que uma mudança destas no nosso planeta não terá afectado o seu campo magnético e o modo com que interagimos com o planeta? A Wikipedia, enciclopédia que costumo consultar pelo seu fácil acesso electrónico em vez de andar a folhear a minha Larousse, na entrada referente a Equação do Tempo [3] refere que a equação de tempo utilizada actualmente se regula pelo tempo solar aparente e pelo tempo solar médio… mas como é determinado este tempo? Pois bem: «A rotação da Terra fornece um relógio natural adequado para a maioria das actividades humanas, já que o tempo despendido em cada revolução apenas varia umas fracções de segundo em cada ano, tornando-o, para a maioria dos efeitos práticos, num valor constante. Para medir o tempo pela rotação da Terra é apenas necessário determinar um ponto de referência a partir do qual iniciar a contagem.» Ou seja, a rotação da Terra é determinante nesta equação embora à primeira vista o nome da mesma dê a entender que não o é. Então se «a rotação da Terra fornece um relógio natural adequado para a maioria das actividades humanas» como se explica que a alteração do eixo da Terra, base do «relógio natural», não tenha dado origem a uma alteração nos relógios pelos quais nos regemos no dia a dia? Pessoalmente conheço algumas pessoas, provavelmente mais sensíveis ao meio que nos rodeia, e eu próprio tenho essa percepção, de que as 8 horas diárias estimadas como necessárias para o completo descanso do ser humano já não têm o mesmo efeito que tinham. Que o desgaste diário nos nossos empregos actualmente nos parece afectar mais do que anteriormente, que as mais pequenas tarefas parecem consumir mais tempo que anteriormente. Será paranóia ou algo efectivamente alterou a nossa percepção do tempo? Com base no portal da NASA [4] ficamos a saber que, inclusivamente, a pressão atmosférica e o vento podem afectar a rotação da terra… mas um choque brutal como o tsunami de 2004, pese ser factualmente aceite que alterou o eixo da Terra, é considerado como irrelevante e como não tendo deixado sequelas. Não sou entendido em ciência, sou uma criatura de Letras, mas finalmente dediquei algumas linhas a este tema impulsionado também pelo que ouvi do filósofo Rodrigo Sobral Cunha [5] na apresentação das revistas “Cadernos de Filosofia Extravagante” e “Nova Águia” na Feira do Livro deste ano, de que as pessoas se encontram fora de ritmo, sem harmonia, que tudo tem o seu ritmo – a circunvalação da Terra em torno do Sol, a rotação do eixo da Terra – e que actualmente nos encontramos fora desse ritmo. A relevância deste artigo urge também pela ausência de discussões em língua portuguesa sobre esta temática; os senhores cientistas que queiram participar, por favor, insisto até em que me contradigam. Notas: [1] – “Sismo mudou planeta, dizem cientistas” in Jornal da Ciência, órgão da sociedade brasileira para o progresso da ciência, 29 de Dezembro de 2004. Lido: 5490
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