Uma coisa bem feita
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Por João José Brandão Ferreira
        TCor Pilav (Ref)

 

«Em todas as partes do mundo por onde andei, ao ver uma ponte perguntei quem a tinha feito, respondiam os portugueses; ao ver uma estrada fazia a mesma pergunta e respondiam: portugueses. Ao ver uma igreja ou uma fortaleza, sempre a mesma resposta, portugueses, portugueses, portugueses. Desejava pois, que da acção francesa em Marrocos daqui a séculos seja possível dizer o mesmo.»

                                                                                 Marechal Lyautey

A RTP levou a cabo nas últimas semanas um programa onde mostrava 27 monumentos construídos pelos portugueses durante a sua incrível expansão pelo mundo. O objectivo, além de explicar aos contemporâneos os quês e os porquês destas construções, normalmente de índole militar ou religiosa, era o de eleger sete delas como as mais significativas.

Em boa hora o fez.

Este programa marca, seguramente, um ponto de viragem na reconciliação dos portugueses com a sua História, que tinha sido posta em causa e maltratada, no seguimento do vendaval de loucura que se apoderou do país após a “Revolução dos Cravos”, nos idos de 74/75. Para tal concorreu também, a invasão da historiografia marxista, (e libertária) que impregnou, de um modo geral, o ensino, as artes e a cultura nacionais, e sobre a qual não se tem feito o devido combate ideológico e a denúncia de métodos e intenções.

Muito há ainda por fazer para pôr as coisas no são, ao passo que seria útil e ficaria bem fazer-se um exame de consciência de como uma sociedade madura por nove séculos de História, se deixa cair em perigosos alçapões ideológicos e pântanos políticos com os custos que lhe são inerentes. Quando se sabe ou se quer, contabilizá-los...

O valor da obra dos portugueses que se desenvolveu durante séculos por todo o mundo, aparece assim aos olhos dos contemporâneos tolhidos por uma vivência “pequenina”, atrofiados por ideias erradas e antinacionais, como inacreditável e incompreensível.

É pois preciso explicar as coisas como elas foram, às novas gerações, tecnocratizadas, imbecilizadas pelos mitos modernos e a quem não se quer incutir sonhos nem ideais.

As declarações de portuguesismo, de descendentes dos nossos antepassados, a comovente evocação da nossa cultura e da nossa língua, a saudade – que só nós compreendemos – revelados durante os diferentes programas da série, são demonstrações pungentes da maneira única dos portugueses estarem no mundo e a prova evidente e trágica de como os actuais poderes em Portugal têm votado ao abandono e ostracismo, a nossa herança histórica e o legado da diáspora.

Todas as tiradas políticas grandiloquentes, têm-se revelado ocas de realizações práticas consequentes. A grande amizade que os revolucionários e constitucionalistas pensaram que iria resultar do vergonhoso reconhecimento “de jure” da, para sempre maldita, invasão de Goa, Damão e Diu, por parte da União Indiana nada produziu a não ser um desdém continuado do governo de Nova Deli para connosco quando não em insultos por parte de académicos indianos que pressurosamente teimamos em convidar para nossa casa falar sobre a História comum; no Brasil campeia a ignorância sobre a História luso-brasileira e as anedotas de mau gosto sobre os portugueses – a quem eles praticamente tudo devem (para já não falar na “ditadura”ortográfica que nos querem impor); a CPLP marca passo; a cooperação civil e militar com os PALOP’s, que poderia ter uma importância muito grande, não consegue ultrapassar a fase do “nós damos e eles recebem, depois estragam, voltam a pedir e nós voltamos a dar…”Não tem um objectivo político e estratégico que a oriente e dignifique. Custa-nos uma soma considerável e temos amiúde como paga ouvir uns remoques idiotas e exigências espúrias, como aconteceu agora num blogue moçambicano, onde a propósito do programa aqui tratado se alude ao comércio de escravos que os portugueses praticaram quando a verdade manda dizer que os primeiros escravocratas eram os sobas locais que vendiam o seu próprio povo…

Perante tudo isto o Instituto Camões cujo objectivo é “espalhar” a língua portuguesa pelo mundo – e outras instituições congéneres vêm a sua acção frustrada pela baixa politiquice que medra no Terreiro do Paço e por um conjunto de ideias frustes que nascem na cabeça de alguns adiantados mentais.

Enfim, um bom serviço público de televisão no meio de tanta asneira feita e de tanto tempo perdido.


 


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  Comentários (1)
1. Escrito por Carlos Carmo, em 04-03-2010 10:31
Só posso dizer que não posso estar mais de acordo com TUDO MESMO TUDO o que aqui escreveu o Senhor Tenente Coronel Brandão Ferreira de cujos escritos sou um fiel leitor.

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