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Embora não exista nada de ilegal no facto do Pentágono querer fazer chegar estas armas à polícia e exército iraquianos, existem várias dúvidas na forma pouco transparente como decorreu o processo de contratação das empresas que viriam a estar envolvidas no transporte e entrega destas armas. Inicialmente, o Departamento da Defesa pediu às embaixadas norte-americana e inglesa na Bósnia para que estas contactassem empresas que tivessem já estado envolvidas no envio de armas para o regime de Saddam Hussein, bem como no fornecimento de armamento para os Balcãs durante os conflitos que assolaram esta região. Uma dessas empresas seria a Aerocom, que esteve sob investigação das Nações Unidas em 2003, e que foi condenada posteriormente pelo seu papel no negócio da troca de armas por diamantes na Serra Leoa e na Libéria. Mesmo assim, a Aerocom foi a empresa contratada para transportar as AK-47 para Bagdad, a partir da base militar norte-americana de Tuzla, no norte da Bósnia. De acordo com a Amnistia Internacional, que está a levar a cabo uma investigação sobre este assunto, não existem registos para onde as armas seguiram depois de saírem do espaço aéreo da Bósnia. De salientar que no dia do primeiro carregamento, o governo da Moldávia retirou a licença à Aerocom por violações de segurança e outras irregularidades. Por outro lado, o relatório da Aministia Internacional confirma que o Pentágono, embora tenha contactado a sua embaixada em Sarajevo, utilizou também duas firmas – cujos nomes estiveram relacionadas com o escândalo das prisões de Abu Ghraib - para vigiarem o transporte das armas. Estas duas firmas, a TAOS e a CACI, por sua vez subcontrataram outras empresas envolvidas em negócios de armas na Inglaterra, Sérvia, Bósnia, Croácia e Moldávia, esta última, onde se encontra sediada a Aerocom. Quando a NATO, os Estados Unidos e o Iraque questionaram estas empresas sobre a localização das armas, a única resposta que obtiveram foi que as mesmas desconheciam qualquer plano de carregamento de armas da Bósnia para o Iraque. No entanto, de acordo com vários jornais ingleses, duas firmas envolvidas nesta teia afirmaram possuir documentos comprovativos em como as armas tinha sido entregues no Iraque, mas recusaram-se a reproduzir esses mesmos documentos por razões de segurança. A verdade é que passados quase dois anos, continua por se descobrir o paradeiro destas cerca de 90 toneladas de armas e munições que partiram da Bósnia e que custaram ao bolso dos contribuintes norte-americanos qualquer coisa como cerca de 400 milhões de dólares. Por Richard Walker, American Free Press e S.Fernandes Lido: 1970
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