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Mahathir Mohamad é um dos líderes mais carismáticos do mundo, embora seja ainda pouco conhecido entre os portugueses. Foi chefe do Governo na Malásia durante mais de duas décadas, cargo que deixou em 2003, e ficou conhecido internacionalmente pelas suas opiniões francas sobre assuntos tão variados, desde a globalização à religião. Durante a sua liderança, a Malásia transformou-se num dos maiores exemplos mundiais de crescimento, passando de uma economia de exportação rural para um centro de alta tecnologia, através da implementação de uma política de não subserviência às grandes potências financeiras internacionais. Este facto fez com que Mahathir ganhasse alguma antipatia de parte da imprensa ocidental, na sua maioria controlada por quem o governante malaio acusou de serem os "grandes praticantes da democracia" que "aterrorizam o mundo". No decorrer do Perdana Global Peace Forum, iniciativa a favor da paz e reconciliação mundiais realizada este mês em Kuala Lampur, Mahathir Mohamad deixou uma mensagem especial que aqui publicamos:
Afirmamos que somos uma sociedade civilizada. Nas sociedades primitivas uma das formas mais comuns de resolução de conflitos era através da morte e eliminação dos adversários. Os vencedores eram quase sempre tidos como os “justos” ou os “bons da fita”. Se vivemos numa sociedade dita civilizada não podemos continuar a resolver os nossos conflitos através dos mesmos métodos, pois, como é óbvio, o mais forte será sempre capaz de se impor sobre os mais fracos, e isso não reflecte o nosso sentido de justiça. Não podemos continuar a matar pessoas como forma de resolver os nossos conflitos. Temos que mudar este comportamento. Por isso, o que estamos a tentar fazer é implementar uma nova mentalidade para que se desenvolvam novos valores, segundo os quais não necessitemos mais de recorrer à guerra – que é o mesmo que matar pessoas – como forma de resolver as nossas divergências. É claro que, se formos atacados, temos o direito de nos defender, mas daí a sermos o agressor e invadirmos outros países destruindo o seu modo de vida e impondo a nossa ideologia, isso para nós é errado. Se tivermos algum problema, devemos tentar resolvê-lo através de outros meios. E quais são esses outros meios? Através de negociações, de uma mediação, dos tribunais, ou mesmo da divulgação das nossas ideias, dos nossos valores, do nosso ponto de vista através dos canais normais: os meios de comunicação. Aí, como é óbvio, não será necessário recorrer à morte de pessoas. Nos tempos primitivos o homem vitimava apenas quem estava em conflito directo com ele. Hoje em dia matamos inocentes. Não existe uma forma de se evitar as chamadas “perdas colaterais”. Hoje existem mais vítimas entre civis do que entre as partes directamente envolvidas no conflito, o que é perfeitamente ridículo e reflecte bem o tipo de civilização que estamos a construir. Neste sentido, acabamos por ser muito mais primitivos do que o homem primitivo, apesar de toda a tecnologia de que dispomos. Tecnologia essa que, ainda usamos e abusamos para descobrirmos formas cada vez mais eficazes de destruir o nosso semelhante, quer seja criando armas nucleares, ou qualquer outro tipo de armamento. Afinal até onde pensamos ir com esta forma de agir? Eventualmente, mais dia ou menos dia, alguém fará detonar um engenho nuclear e, a partir daí todo o mundo será destruído porque, alegando a auto-defesa, outros países irão também eles accionar os seus arsenais, provocando um efeito de bola de neve. Hoje em dia já não se pode afirmar que a acção se desenrola e está limitada ao território do inimigo. E isto é o que mais nos preocupa. Por isso apelamos a todo o mundo para que optem pela rejeição da guerra, optem pelo fim das mortes e optem pela busca de uma resolução pacífica dos conflitos. Nota: Esta mensagem foi entregue ao jornalista Michael C. Piper, correspondente do American Free Press, único jornal norte-americano a marcar presença no Perdana Global Peace Forum, iniciativa presidida por Mahathir Mohamad. Lido: 1771
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