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Por João Brandão Ferreira Estando a família real em Madrid, o Rei designa um seu representante para cada um dos locais onde a comemoração tem lugar. O general Aguada representava assim, D. Juan Carlos, em Sevilha. Que disse então aquele militar de tão extraordinário? Apenas isto: que havia no estatuto autonômico da Catalunha, entretanto aprovado, dois aspectos relacionados com a língua e a justiça, que colocam graves problemas às Forças Armadas (FA's); e um outro que a não ser salvaguardado põe em risco a unidade da Espanha. Sobre este último aspecto, por ser o mais grave, teceu ainda mais alguns considerandos, chamando a atenção para o que se pode tornar anticonstitucional e que essa mesma Constituição - jurada pelos militares -prevê no seu artigo 8º que as FA's têm como “missão garantir a soberania e independência de Espanha, defender a sua integridade e o ordenamento constitucional”. E acrescentou que os juramentos para os militares espanhóis (como me parece que são para todos os outros), constituem uma questão de honra. O general falou de uma forma elevada, não ofendeu ninguém, e expressou lealmente as preocupações da cadeia hierárquica e dos seus subordinados. Que má consciência ou autoritarismo exacerbado pode levar um ministro a colocar um chefe militar em prisão domiciliária por semelhante acto de pundonor?. Que confusões (ou perfídias), vão na cabeça de políticos que entendem que o general está a entrar em terrenos que não lhe dizem respeito? Que está a fazer Política? Mas o que está consignado na Constituição espanhola, nomeadamente, no seu artigo 8º, não é eminentemente político? E é por ter esta relevância que o general se sentiu – e bem - na obrigação de se expressar. É que os militares, devendo obediência e respeito aos governos, ao Parlamento, ao Rei, também devem lealdade e respeito a si próprios e, acima de tudo, à Nação que servem e donde emanam. (1) Então os políticos é que se põem em situação de ofender o cumprimento das leis. A coesão nacional e a unidade do Estado e o ónus é atirado para cima de quem diz as verdades e alerta para as possíveis consequências? Ou pretendia-se atingir a realeza? Que querem os políticos? Generais eunucos? Cidadãos acríticos e amorfos de terceira categoria? Não deixa de ser caricato que numa sociedade avançada do século XXI, onde profissionais das mais diferentes origens digam diária e publicamente, as coisas mais incríveis, os militares que pertencem a uma instituição secular, patriótica, com provas dadas, em que a escolha, formação e exigências deontológicas não têm paralelo na sociedade, a não ser na Igreja, sejam menorizados e enxovalhados por políticos menores onde, em muitos casos avulta como relevante no “curriculum” as horas passadas a colar cartazes e as bajulações aos chefes de momento. E que um circunstancialismo eleitoral passageiro guindou a posição de mando. O general fez o que devia. Os outros o que costumam. (1) As questões levantadas relativamente à Justiça e à Língua, foram salvaguardadas, posteriormente, pelo MDN, dando assim razão ao general. Quanto à autonomia estão a levantar-se em cada vez mais sectores da sociedade, críticas ao estatuto. E veremos, no futuro, que desgraças esperam os nossos vizinhos. Lido: 1850
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